Ministério Público denuncia plantonista por tortura e morte de paciente em clínica de Cuiabá

Ministério Público denuncia plantonista por tortura e morte de paciente em clínica de Cuiabá

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) formalizou a denúncia contra o plantonista Odiley Rodrigues Souza, acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual. O caso refere-se à morte de Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, ocorrida no início de junho em uma clínica de reabilitação situada em Cuiabá. A vítima, que possuía diagnóstico de esquizofrenia e enfrentava dependência química, foi encontrada sem vida com uma corda no pescoço, em um cenário inicialmente apresentado como suicídio, mas que as investigações apontaram ser uma cena forjada.

De acordo com as apurações conduzidas pela Polícia Civil e pela perícia técnica (Politec), as inconsistências no local do crime foram fundamentais para desmentir a versão inicial da clínica. Alessandro estaria em um momento de agitação psicótica, solicitando medicação para dormir, quando foi abordado pelo plantonista no cômodo conhecido como "quartão". A denúncia detalha que o profissional teria submetido o paciente a agressões físicas severas, incluindo tapas, chutes e manobras de estrangulamento para contê-lo.

O relato ministerial descreve que, durante a madrugada, a vítima foi imobilizada com os braços amarrados para trás. Aproveitando-se da vulnerabilidade de Alessandro, o agressor teria utilizado um cinto para desferir o estrangulamento fatal. O laudo pericial confirmou que a causa do óbito foi uma lesão interna grave na região cervical, decorrente da asfixia provocada.

Além da violência física, o Ministério Público destaca a ocorrência de fraude processual, uma vez que o suspeito admitiu ter tentado manipular a cena para simular um enforcamento voluntário. Em depoimento, o plantonista apresentou contradições, chegando a afirmar que retirou a vítima de uma janela, fato refutado pela perícia. "Eu tinha visto a corda lá na janela. Eu fiquei com medo porque isso nunca aconteceu em nenhum plantão meu", declarou o acusado durante o interrogatório.

A gravidade do crime é acentuada pelas qualificadoras de violação do dever profissional e pelo fato de a vítima ser uma pessoa enferma sob custódia. A clínica em questão, segundo informações levantadas no processo, operava sem o devido registro no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), e o denunciado era o único responsável pelo plantão noturno de uma ala com mais de 40 internos. O caso segue sob análise do Poder Judiciário.

Fonte: G1 Mato Grosso

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