Ministério Público aciona Governo de Mato Grosso por irregularidades no Hospital Regional de Sorriso

Ministério Público aciona Governo de Mato Grosso por irregularidades no Hospital Regional de Sorriso

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ajuizou uma Ação Civil Pública contra a administração estadual, fundamentada em uma série de irregularidades persistentes no Hospital Regional de Sorriso. A iniciativa jurídica, assinada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas no último dia 20, aponta deficiências graves que abrangem desde o déficit de profissionais de saúde até problemas severos na infraestrutura física da unidade, comprometendo o atendimento à população.

O Hospital Regional de Sorriso desempenha um papel fundamental na rede pública, sendo referência em traumatologia, gestações de alto risco e urgências de alta complexidade. No entanto, o MPMT destaca que a importância da unidade contrasta com as falhas encontradas. “Quanto maior o papel sistêmico da unidade, maior a gravidade jurídica e social das falhas estruturais que nela se instalam”, ressalta um trecho da ação.

Um dos pontos mais críticos levantados pela investigação é a insuficiência de recursos humanos. Embora a unidade possua 143 leitos cadastrados, a falta de pessoal e a realização de reformas forçaram o fechamento de até 28 leitos em determinados períodos. O déficit de funcionários, estimado em cerca de 140 profissionais — com ênfase na área de enfermagem —, impactou diretamente a capacidade operacional, resultando na redução e até na suspensão temporária de cirurgias eletivas.

A assistência especializada também enfrenta desafios. A ação detalha que o hospital, apesar de ser referência em obstetrícia de alto risco, registrou momentos de ausência de pediatras e neonatologistas para o acompanhamento de partos. Em episódios críticos, um único profissional plantonista precisava acumular o atendimento de urgências, a sala de parto e o alojamento conjunto. Mesmo com nomeações recentes, o Ministério Público argumenta que a recomposição das equipes permanece insuficiente.

No âmbito da infraestrutura, os relatos incluem falta de climatização, precariedade em banheiros, infiltrações e riscos de infecção hospitalar. Há ainda preocupações com a estabilidade do prédio, que apresenta rachaduras e possíveis problemas nas fundações decorrentes da movimentação do solo. Diante desse cenário, o MPMT requer que o Estado apresente um Plano de Reestruturação detalhado, incluindo cronograma para recomposição de pessoal, reabertura de leitos e correções prediais. O órgão solicita ainda uma avaliação técnica independente para definir se as reformas atuais são viáveis ou se há necessidade de construção de uma nova sede.

Fonte: G1 Mato Grosso

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