Migração de andorinhas em Cuiabá: fenômeno natural auxilia no controle de insetos e mobiliza especialistas

Migração de andorinhas em Cuiabá: fenômeno natural auxilia no controle de insetos e mobiliza especialistas

A presença massiva de andorinhas em um condomínio no bairro Jardim Tropical, em Cuiabá, tem despertado a curiosidade de moradores e especialistas. O fenômeno, caracterizado por voos sincronizados que formam verdadeiras nuvens no céu ao entardecer, foi detalhado pelo biólogo Vítor de Queiroz Piacentini, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Segundo o especialista, as aves estão em pleno processo migratório, utilizando a capital mato-grossense como ponto de descanso e alimentação em sua jornada vinda da América do Norte.

As andorinhas viajam anualmente para fugir do rigoroso inverno no Hemisfério Norte. Embora a maior concentração dessas aves ocorra na região amazônica, grupos significativos avançam pelo Brasil Central. Piacentini esclarece que o tempo de permanência na região é variável. “Não tem como a gente saber ao certo quanto tempo elas vão ficar. O comum é que os indivíduos acabem ficando não a estação de invernada inteira no mesmo local, mas que eles se dispersem em função da disponibilidade de alimento”, afirmou o biólogo em entrevista à TV Centro América.

Além do impacto visual, a estadia das aves oferece benefícios práticos à saúde pública e ao equilíbrio ecológico. Ao se alimentarem, cada indivíduo consome centenas ou até milhares de insetos diariamente, o que auxilia no controle populacional de mosquitos transmissores de doenças. O professor ressalta que esse é um exemplo claro de serviço ecossistêmico, onde a fauna contribui diretamente para o bem-estar humano. "Você pode imaginar o quanto um bando numeroso desses, que deve ter alguns milhares de indivíduos de andorinhas, retira de insetos do ambiente ao redor", pontuou.

É fundamental destacar que as andorinhas são protegidas pela legislação brasileira, incluindo a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967). A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMADES) de Cuiabá reforça que é proibido capturar, tocar ou afugentar os animais, bem como destruir seus ninhos. Qualquer intervenção necessária deve ser obrigatoriamente mediada por órgãos competentes, como o Ibama. A expectativa é que as aves permaneçam na América do Sul até meados de março ou abril, quando iniciam o retorno para o norte do continente.

Fonte: G1 Mato Grosso

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