Medicina moderna e novas terapias ampliam qualidade de vida para pacientes com fibromialgia

A medicina moderna tem apresentado avanços significativos no tratamento da fibromialgia, oferecendo novas perspectivas de bem-estar para pacientes que convivem com a dor crônica. Terapias de ponta, como a estimulação magnética transcraniana, o laser robótico de alta intensidade e o uso de cannabis medicinal, agora integram os protocolos clínicos, permitindo um manejo mais eficaz da síndrome e combatendo a hipersensibilidade neural característica da condição.
De acordo com o Dr. George Lima, especialista em medicina do exercício e do esporte da Unimed Cuiabá, a fibromialgia se manifesta através de um fenômeno chamado sensibilização central. “A pessoa com fibromialgia percebe a dor como se ela estivesse sempre no grau máximo. Estímulos leves, como um abraço, um beijo, o toque da roupa na pele ou até um simples encostar de mãos podem provocar dor intensa. Isso acontece porque o sistema nervoso central interpreta estímulos comuns de forma exagerada”, explica o médico. Esse quadro é agravado por um desequilíbrio químico no cérebro, onde substâncias que transmitem a dor estão elevadas, enquanto neurotransmissores do bem-estar, como a serotonina, encontram-se reduzidos.
Além da dor generalizada, a síndrome é acompanhada pelo "fibro fog" ou névoa mental, que gera dificuldades cognitivas e de memória. “Muitos pacientes relatam que esquecem palavras simples, têm dificuldade para se concentrar e vivem cansados, mesmo dormindo várias horas. Isso acontece porque o paciente não consegue atingir um sono realmente restaurador”, ressalta o especialista.
O tratamento contemporâneo foca na multidisciplinaridade. Embora medicamentos neuromoduladores sejam utilizados, a atividade física de baixo impacto é apontada como pilar essencial. “Atividade física é fundamental. Exercícios aeróbicos leves ajudam a estimular neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, reduzindo a percepção dolorosa e melhorando a qualidade do sono”, reforça o Dr. George Lima. Tecnologias como a termografia também auxiliam no diagnóstico preciso, identificando o "manto fibromiálgico" através do mapeamento de calor corporal.
Em Cuiabá, o programa "Gente de Fibra" oferece suporte gratuito a beneficiários, unindo diversas especialidades para promover a autonomia do paciente. No âmbito legal, a legislação mato-grossense avançou ao equiparar a fibromialgia à deficiência (PCD), garantindo direitos previdenciários e atendimento prioritário, o que representa uma vitória histórica para a dignidade desses cidadãos. “Hoje sabemos que a dor da fibromialgia é real. Não é exagero, não é emocional e não é ‘frescura’. É uma condição séria, que precisa de acolhimento, tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar”, conclui o médico.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT