Mato Grosso transfere animais resgatados para santuário em Minas Gerais visando preservação de espécies vulneráveis

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) deu início a uma importante operação de manejo e conservação de fauna silvestre com a transferência de diversos animais para o Santuário Onça Pintada, localizado em Curvelo (MG). Entre os exemplares enviados, destacam-se dois macacos-barrigudos (*Lagothrix lagothricha*), espécie atualmente classificada como vulnerável à extinção. A comitiva de transporte inclui ainda nove jacarés-do-Pantanal albinos e um tamanduá-mirim, todos resgatados em diferentes municípios mato-grossenses, como Cuiabá, Juína e Confresa.
A iniciativa é fruto de uma cooperação técnica entre a Sema-MT, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). De acordo com o órgão estadual, o objetivo central da transferência é viabilizar a conservação dessas espécies por meio de programas estruturados de reprodução em cativeiro e futura reintrodução em seus habitats naturais. Antes do embarque, todos os animais foram submetidos a rigorosas avaliações clínicas para garantir que estivessem aptos para a viagem.
O macaco-barrigudo enfrenta sérios riscos de sobrevivência devido ao desmatamento, à caça predatória e à baixa taxa reprodutiva. Estimativas do ICMBio apontam que a população da espécie pode sofrer uma redução de até 30% em um período de 45 anos caso as pressões ambientais persistam. "Por espalhar sementes nas florestas, a espécie tem papel importante na manutenção do ecossistema amazônico", ressaltam os dados técnicos, evidenciando a relevância ecológica desses primatas que habitam estados como Mato Grosso, Acre e Amazonas.
Além dos primatas, a situação do tamanduá-mirim também gera preocupação entre os especialistas. A espécie é frequentemente vitimada por atropelamentos em rodovias, ataques de cães domésticos em áreas rurais e incêndios florestais. A Sema-MT reforça que a participação em Planos de Ação Nacional (PAN) é fundamental para mitigar esses impactos e proteger a biodiversidade dos biomas Cerrado, Pantanal e Amazônia. A destinação desses animais a santuários especializados representa uma etapa crucial para a preservação genética e o bem-estar dos espécimes resgatados.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT