Mato Grosso sanciona lei que veta incentivos fiscais para empregadores na 'lista suja' do trabalho escravo

Mato Grosso sanciona lei que veta incentivos fiscais para empregadores na 'lista suja' do trabalho escravo

O estado de Mato Grosso oficializou, nesta terça-feira (14), uma importante atualização em sua legislação tributária com a sanção da Lei Complementar nº 839/2026. A nova normativa estabelece critérios mais rigorosos para o fomento econômico estadual, proibindo terminantemente a concessão de incentivos fiscais a empresas ou pessoas físicas que figurem no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, ferramenta popularmente conhecida como "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego.

A medida altera diretamente a legislação estadual que rege os benefícios fiscais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Na prática, a regularidade trabalhista passa a ser um pré-requisito indispensável para quem deseja usufruir de desonerações ou incentivos governamentais. O projeto que deu origem à lei é de autoria do deputado estadual Lúdio Cabral, visando coibir práticas abusivas no ambiente laboral e garantir que recursos públicos não beneficiem infratores dos direitos humanos.

A relevância da nova lei é corroborada por dados alarmantes sobre a exploração laboral no estado. Conforme registros oficiais, o governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em todo o Brasil no ano de 2025. Mato Grosso apresenta um cenário preocupante, com o resgate de aproximadamente 627 trabalhadores em condições degradantes, evidenciando a necessidade de mecanismos estaduais de controle e punição administrativa.

A "lista suja", que serve de base para a nova proibição, é atualizada semestralmente e foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 como um instrumento legítimo de transparência e acesso à informação. A inclusão de um nome no cadastro ocorre apenas após a conclusão de processos administrativos, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório por parte dos empregadores fiscalizados.

Para fortalecer o combate a essas práticas, as autoridades reiteram a importância da participação social. Denúncias podem ser realizadas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, disponível na internet. Através desse canal, o cidadão pode fornecer informações detalhadas que permitem às equipes de fiscalização analisar a veracidade dos fatos e realizar intervenções diretas nas localidades suspeitas, visando a erradicação definitiva do trabalho escravo no território mato-grossense.

Fonte: G1 Mato Grosso

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