Mato Grosso sanciona lei que proíbe uso de Inteligência Artificial para criação de imagens íntimas falsas

Mato Grosso sanciona lei que proíbe uso de Inteligência Artificial para criação de imagens íntimas falsas

O Governo de Mato Grosso oficializou a sanção da Lei nº 13.257/2024, que estabelece a proibição rigorosa da criação, uso e compartilhamento de imagens ou vídeos íntimos falsos gerados por inteligência artificial, técnica conhecida como "deep nudes". A nova legislação, que visa combater crimes digitais e proteger a privacidade dos cidadãos, abrange o desenvolvimento e a comercialização de softwares destinados a essa finalidade ilícita em todo o território estadual.

A norma impõe responsabilidades diretas às plataformas digitais, que agora devem implementar sistemas eficazes para a identificação e exclusão imediata de conteúdos dessa natureza. Além disso, as empresas de tecnologia são obrigadas a manter canais de denúncia acessíveis e a cooperar plenamente com as autoridades em investigações policiais. A medida surge como uma resposta necessária ao aumento de crimes cibernéticos, que registraram uma alta de 28% em 2025, segundo dados da SaferNet Brasil.

Mato Grosso tem enfrentado estatísticas preocupantes nesse cenário. De acordo com a SaferNet, o estado figura entre as unidades federativas com maior incidência de vítimas; em um recorte nacional de 173 casos, 30 ocorreram em solo mato-grossense, afetando majoritariamente alunas e professoras. Recentemente, a Polícia Civil conduziu uma operação em Juína, onde celulares de estudantes foram apreendidos sob a suspeita de produzirem montagens pornográficas de colegas de 15 e 17 anos. O delegado Marco Remuzzi, responsável pelo caso, destacou que a investigação é prioridade e que os aparelhos passam por perícia para a extração de dados.

O deputado Wilson Santos, um dos autores da proposta, enfatizou a urgência da nova lei como um mecanismo de defesa da dignidade humana. "Apesar dos benefícios da inteligência artificial, o uso indevido da tecnologia pode causar danos psicológicos e ferir a dignidade das pessoas", afirmou o parlamentar. A legislação prevê sanções que incluem multas pesadas e a suspensão de atividades comerciais para empresas que descumprirem as regras.

Complementando a fiscalização, o Poder Executivo deverá promover campanhas educativas focadas no uso ético da tecnologia e na importância do consentimento digital. A técnica de "deepfake", que consiste na alteração de vídeos ou fotos para substituir rostos ou falas de forma realista, passa agora a ter um cerco jurídico mais estreito no estado, garantindo maior segurança jurídica e proteção psicológica às potenciais vítimas.

Fonte: G1 Mato Grosso

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