Mato Grosso registra aumento de 102% no número de adolescentes internados e vai na contramão da tendência nacional

Mato Grosso registra aumento de 102% no número de adolescentes internados e vai na contramão da tendência nacional

Mato Grosso apresenta um cenário atípico em relação ao restante do Brasil no que diz respeito ao sistema socioeducativo. De acordo com o Levantamento Nacional do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) 2025, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado foi a única unidade da federação a registrar um aumento no número de adolescentes em cumprimento de medidas de restrição de liberdade entre os anos de 2018 e 2025. Enquanto o país observou uma redução de 50,2% no total de jovens internados, Mato Grosso viu esse índice saltar de 114 para 231 adolescentes, o que representa um crescimento expressivo de 102,6%.

Os dados detalham que a tendência de alta no estado se intensificou recentemente. Apenas entre os anos de 2024 e 2025, o crescimento local foi de 37,5%, superando drasticamente a média nacional de 1,2% para o mesmo período. Em termos proporcionais, a taxa mato-grossense passou de 22,5 adolescentes internados para cada 100 mil habitantes (na faixa de 12 a 20 anos) em 2018, para 45,2 em 2025. No âmbito federal, o movimento foi oposto, com a taxa caindo de 84,2 para 50,7 no mesmo intervalo.

Nacionalmente, o volume de jovens em medidas de privação de liberdade recuou de 24.510 em 2018 para 12.203 em 2025. Especialistas apontam que essa queda histórica, iniciada em 2016, pode estar relacionada a mudanças legislativas, novas dinâmicas criminais e impactos da pandemia. Contudo, os últimos três anos mostram uma estabilização com leve viés de alta no Brasil, sugerindo uma possível mudança de curso na tendência de redução.

O perfil dos jovens assistidos pelo sistema permanece constante: em 2025, 93,4% são do sexo masculino e a grande maioria (76,1%) possui entre 16 e 18 anos. Quanto à etnia, 73,7% se autodeclaram negros (pretos ou pardos). Os atos infracionais que mais motivam as internações são o roubo, com 29,1%, e o tráfico de entorpecentes, com 27,9%.

O estudo vem à tona em um momento de debates acalorados no Congresso Nacional sobre a redução da maioridade penal. Os pesquisadores do FBSP argumentam que os dados reforçam a urgência de políticas públicas preventivas. O levantamento destaca que, além de responderem por infrações, os jovens são as principais vítimas de mortes violentas no país, defendendo o aperfeiçoamento do atendimento socioeducativo atual.

Fonte: G1 Mato Grosso

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