Mato Grosso registra alta de 70% em casos de violência psicológica e atinge segunda maior taxa do Brasil

Mato Grosso registrou um salto alarmante nos índices de criminalidade contra o público feminino, com um aumento de 70,3% nas ocorrências de violência psicológica. Os dados, revelados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23), colocam o estado com a segunda maior taxa desse tipo de crime em todo o país. O volume de registros saltou de 2.151 para 3.720 casos anuais, evidenciando um cenário crítico que demanda atenção das autoridades e da sociedade civil.
A gravidade da situação em Mato Grosso é acentuada pelo fato de o crescimento local ser quatro vezes superior à média nacional, que teve uma alta de 16,9%. Em termos proporcionais, o estado passou de 112,9 para 192,3 ocorrências a cada 100 mil mulheres, ficando atrás apenas de Roraima no ranking nacional. Tipificada na legislação brasileira desde 2021, a violência psicológica é caracterizada por ações que causam dano emocional, diminuição da autoestima ou controle social, manifestando-se através de humilhações, isolamento, chantagens e manipulação.
Além da violência psicológica, o levantamento destacou o avanço do crime de perseguição, conhecido como stalking. Em Mato Grosso, essa modalidade cresceu 31,6%, atingindo a marca de 2.970 casos registrados. Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) alertam que essas formas de abuso frequentemente compõem uma escalada de violência que pode culminar em tragédias maiores. "Um parceiro que hoje ameaça pode, nas semanas seguintes, partir para a violência psicológica; depois, para a agressão física, para a perseguição, para o descumprimento de uma medida protetiva solicitada pela vítima e, posteriormente, para uma tentativa de feminicídio e para o feminicídio consumado", aponta o relatório.
Um exemplo recente dessa dinâmica no estado envolveu a condenação de um professor universitário da UFMT por perseguir a ex-companheira. De acordo com o processo judicial, o réu utilizava e-mails insistentes e monitoramento da rotina da vítima para exercer pressão psicológica. Embora o condenado negue as acusações e tenha recorrido da decisão, o caso ilustra como o stalking gera abalo emocional severo. Os números do Anuário reforçam a necessidade urgente de políticas públicas eficazes de proteção à mulher para interromper o ciclo de abusos antes que eles evoluam para crimes letais.
Fonte: G1 Mato Grosso
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