Mato Grosso inaugura primeiro trecho de ferrovia estadual e terminal estratégico em Dom Aquino

Mato Grosso deu um passo histórico para a consolidação de sua infraestrutura logística com a inauguração, realizada no último sábado (20), do primeiro trecho da ferrovia estadual e de um moderno terminal de cargas em Dom Aquino. O projeto, que representa a maior obra ferroviária atualmente em execução no Brasil, recebeu um investimento privado de R$ 5 bilhões nesta etapa inicial, que compreende 162 quilômetros de trilhos. A cerimônia contou com a presença de autoridades federais, como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro dos Transportes, George Santoro.
A nova ferrovia estadual terá uma extensão total de 740 quilômetros, estabelecendo uma conexão estratégica entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, atravessando 16 municípios mato-grossenses e incluindo um ramal essencial para a capital, Cuiabá. O impacto imediato na logística estadual é significativo: com a ativação do terminal em Dom Aquino, a distância média percorrida por caminhões entre as propriedades rurais e o modal ferroviário será reduzida de 600 km para apenas 150 km, otimizando o escoamento e reduzindo custos.
Sob responsabilidade da concessionária Rumo Logística, a obra visa integrar o estado à malha ferroviária nacional, facilitando o transporte da produção agrícola — especialmente soja e milho — até o Porto de Santos. Além da exportação, o modal deve baratear a entrada de insumos e produtos industriais em Mato Grosso. A infraestrutura entregue neste primeiro trecho impressiona pela magnitude, incluindo 11 pontes e viadutos, além de um terminal de 200 hectares com capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas de grãos anualmente.
O terminal ferroviário de Dom Aquino possui tecnologia de ponta, com cinco tombadores capazes de descarregar 35 caminhões por hora e carregar 16 vagões no mesmo período. A estrutura dispõe ainda de quatro balanças rodoviárias, capacidade de armazenamento para 42 mil toneladas e amplo suporte para caminhoneiros. Em termos socioeconômicos, o empreendimento gerou 800 empregos durante as obras e deve manter 200 postos de trabalho permanentes, impulsionando a economia da região sudeste.
Este avanço infraestrutural reforça o protagonismo de Mato Grosso, que detém 31% da produção nacional de grãos. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deve colher cerca de 111,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, consolidando sua liderança histórica na produção de soja, milho e algodão. A nova ferrovia surge como a espinha dorsal necessária para sustentar esse crescimento contínuo do agronegócio mato-grossense.
Fonte: G1 Mato Grosso
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