Mato Grosso atinge 70% de execução em plano estadual de combate ao trabalho escravo

Mato Grosso apresenta resultados expressivos no combate ao trabalho análogo à escravidão, com a conclusão ou execução de aproximadamente 70% das metas estabelecidas no 3º Plano Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo. O balanço foi divulgado pela Comissão Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Escravo (Coetrae), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Lançado em 2024, o planejamento estratégico prevê ações contínuas até 2030, estruturadas em eixos que abrangem desde a assistência às vítimas até a repressão e governança.
O plano é composto por 151 metas detalhadas, divididas em áreas fundamentais como prevenção, repressão, gestão de conhecimento e suporte direto aos trabalhadores. Segundo o monitoramento da Coetrae, a maioria dos objetivos tem avançado conforme o cronograma, enquanto as metas remanescentes aguardam a consolidação de políticas públicas e articulações entre diferentes esferas do governo e da sociedade civil.
Os dados operacionais reforçam a eficácia das medidas adotadas. Somente em 2025, as ações de fiscalização resultaram no resgate de 627 trabalhadores em condições degradantes no estado. Após a retirada dessas situações, os cidadãos foram encaminhados para a rede de acolhimento especializada. Paralelamente, o estado investe na qualificação de seus quadros: 150 policiais civis foram treinados na metodologia “Escravo, Nem Pensar!”, visando aprimorar tanto as técnicas de investigação quanto o atendimento humanizado às vítimas.
A educação e a mobilização social também desempenham papéis centrais na estratégia mato-grossense. O programa de capacitação alcançou professores da rede estadual em todos os 142 municípios, transformando-os em agentes multiplicadores de conscientização. Além disso, por meio do Projeto Ação Integrada (PAI), 370 profissionais de saúde e assistência social foram qualificados para lidar com os protocolos de atendimento. Na região do Araguaia, 60 lideranças locais, incluindo representantes de comunidades tradicionais e defensores de direitos humanos, foram preparadas para atuar na prevenção deste crime.
Mato Grosso mantém uma posição de vanguarda no cenário nacional, sendo o único estado a possuir uma comissão de enfrentamento ao trabalho escravo integrada diretamente à estrutura da Secretaria de Segurança Pública. A presidente da Coetrae, Márcia Ourives, atribui o sucesso das metas à atuação sinérgica das 24 instituições que compõem o colegiado e ao apoio institucional do Governo do Estado. No último ano, o compromisso foi reafirmado com a adesão à Carta de Compromisso de Repactuação das Políticas Nacionais, consolidando Mato Grosso como referência na erradicação dessa prática.
Fonte: G1 Mato Grosso
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