Maio Vermelho: Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce do câncer de boca

A campanha "Maio Vermelho" mobiliza especialistas e autoridades de saúde em todo o país para alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de boca. De acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve enfrentar uma média de 17 mil novos casos anuais da doença no triênio 2026-2028. O cenário preocupa a classe médica, uma vez que, apesar de ser uma enfermidade de fácil identificação visual, cerca de 60% dos diagnósticos ainda ocorrem em estágios avançados, o que compromete severamente as chances de cura e amplia as sequelas dos tratamentos.
O câncer de boca atinge regiões como lábios, gengivas, bochechas, língua e garganta. Os principais fatores de risco estão intrinsecamente ligados ao estilo de vida, com destaque para o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Segundo dados do Ministério da Saúde, fumantes possuem uma probabilidade cinco vezes maior de desenvolver a doença em comparação a não fumantes. Outros agravantes incluem a exposição solar sem proteção nos lábios e a infecção pelo vírus HPV, que tem aumentado a incidência em pacientes mais jovens.
A oncologista clínica da Oncomed-MT, Dra. Letícia França, ressalta a necessidade de atenção aos sinais do corpo. “Lesões que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, sangramento, nódulos no pescoço e rouquidão persistente, estão entre os principais sinais e sintomas de alerta”, pontua a médica. Em fases mais graves, o paciente pode apresentar dificuldades motoras na língua, além de dor ao mastigar e engolir.
O tratamento padrão envolve intervenções cirúrgicas, que podem ser acompanhadas de radioterapia e quimioterapia. O cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Pedro Turra, enfatiza que a agilidade na detecção é o fator determinante para o sucesso terapêutico. “Quanto mais precoce a detecção, melhor a chance de cura, porque quanto maior o tumor, maior a intensidade do tratamento. Em um estágio mais avançado, o tratamento é mais invasivo, e o trauma é maior, sendo necessário agregar radioterapia e quimioterapia”, explica o especialista.
Além do suporte médico, o papel do cirurgião-dentista é considerado vital, pois este profissional costuma ser o primeiro a identificar lesões suspeitas durante consultas de rotina. A recomendação geral inclui a manutenção de hábitos saudáveis, proteção solar e o autoexame constante da cavidade bucal, buscando assistência especializada sempre que uma ferida persistir por mais de duas semanas.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT