Liderança histórica do Xingu, cacique Khuiusi Suyá falece aos 80 anos em Mato Grosso

Liderança histórica do Xingu, cacique Khuiusi Suyá falece aos 80 anos em Mato Grosso

O estado de Mato Grosso e as comunidades indígenas do Xingu despediram-se, na última sexta-feira (3), de uma de suas lideranças mais emblemáticas. O cacique Khuiusi Suyá faleceu aos 80 anos, deixando um histórico de décadas dedicadas à preservação da cultura e à garantia dos direitos territoriais do povo Khĩsêtjê. Reconhecido por sua sabedoria e visão política, Khuiusi foi uma figura central na resistência contra a pressão agropecuária na bacia do rio Suiá-Miçu, consolidando-se como um pilar fundamental para a demarcação de terras ancestrais.

A trajetória de Khuiusi Suyá foi marcada por superações desde a juventude. Ele assumiu a liderança de seu povo em um período crítico de contato com a sociedade não indígena, logo após a perda de seu pai e de grande parte dos anciãos da aldeia. Mesmo sem o domínio da língua portuguesa ou da escrita formal, sua capacidade de articulação e coragem garantiram a sobrevivência e a autonomia de sua comunidade. O Instituto Raoni, em nota de pesar, destacou a proximidade entre Khuiusi e o cacique Raoni Metuktire, que o considerava um sobrinho e um aliado fiel na defesa das causas originárias.

Um dos marcos de sua gestão foi a mobilização iniciada na década de 1990, que culminou no reconhecimento e na demarcação da Terra Indígena Wawi. Essa conquista foi essencial para a preservação do Território Indígena do Xingu, servindo como uma barreira de proteção ambiental e cultural. Em comunicado oficial, a aldeia Khĩsêtjê expressou a profundidade da perda: "Hoje, aos 80 anos, Khuiusi Suyá nos deixou fisicamente. No entanto, sua luta, seus ensinamentos e seu legado permanecerão vivos para sempre na memória das futuras gerações do povo Khĩsêtjê e de todos os povos indígenas que tiveram a honra de caminhar ao seu lado. Descanse em paz, grande cacique. Sua história jamais será esquecida".

Os Khĩsêtjê representam o único grupo de língua Jê residente no Território Indígena do Xingu, mantendo tradições singulares, como o canto ritual, apesar do intenso intercâmbio cultural com outras etnias da região. Atualmente, a maior parte da população reside na aldeia Ngôjwêrê, fruto direto das conquistas territoriais lideradas por Khuiusi. O legado do cacique é visto como uma inspiração contínua para as novas lideranças que agora assumem a responsabilidade de proteger o território e a identidade de seu povo.

Fonte: G1 Mato Grosso

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