Líder de organização criminosa recapturada na Bolívia é transferida para isolamento em Cuiabá

Líder de organização criminosa recapturada na Bolívia é transferida para isolamento em Cuiabá

Uma operação de alta complexidade resultou na transferência de Angélica Saraiva de Sá, apontada como uma das lideranças de uma organização criminosa em Mato Grosso, para o Presídio Feminino Ana Maria do Couto, em Cuiabá. Conhecida pela alcunha de “Angeliquinha”, a detenta havia fugido da mesma unidade prisional em agosto de 2025 e foi recapturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após uma ação conjunta entre a Polícia Civil mato-grossense e as autoridades bolivianas. Devido à sua alta periculosidade e ao histórico de condenações que somam 260 anos de reclusão, ela foi submetida ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

De acordo com informações fornecidas pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o RDD impõe restrições severas à rotina da interna. Pelos próximos seis meses, com possibilidade de renovação, a detenta permanecerá isolada da massa carcerária, com horários reduzidos para banho de sol e visitas, sob vigilância intensificada das policiais penais. "O regime prevê restrições à rotina da detenta, que ficará isolada das demais presas, terá períodos reduzidos de visitas e de banho de sol, além de maior vigilância por parte das policiais penais", explicou o delegado.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicam que a atuação da suspeita concentrava-se no extremo norte de Mato Grosso, com ênfase na região de Alta Floresta. Ela é investigada por coordenar atividades ligadas ao tráfico de entorpecentes e lavagem de capitais. A captura internacional ocorreu em setembro, sendo a detenta entregue posteriormente à Polícia Federal em Corumbá (MS), onde aguardou os trâmites para o retorno ao sistema penitenciário de Mato Grosso, concretizado nesta terça-feira (20).

A estrutura financeira da organização também foi alvo da Operação Showdown, deflagrada em março de 2026. A ofensiva policial visou desarticular o suporte dado por familiares de Angeliquinha, que auxiliariam na ocultação de bens e valores. Durante a operação, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em um curto período de 19 meses, montante considerado incompatível com a realidade econômica dos envolvidos. Ao todo, foram cumpridas 31 ordens judiciais, abrangendo desde prisões e buscas até o sequestro de imóveis e bloqueio de contas bancárias, visando asfixiar o braço econômico do grupo criminoso.

Fonte: G1 Mato Grosso

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