Líder de organização criminosa com penas de 260 anos é transferida para Cuiabá após captura na Bolívia

A segurança pública de Mato Grosso registrou um importante desdobramento com a transferência de Angélica Saraiva de Sá, apontada como liderança de uma organização criminosa, para a capital mato-grossense. Após ser recapturada na Bolívia em setembro, a detenta chegou a Cuiabá na última terça-feira (20) para dar continuidade ao cumprimento de penas que, somadas, alcançam 260 anos de reclusão. Devido à sua periculosidade, ela foi encaminhada ao Presídio Feminino Ana Maria do Couto, onde permanecerá em regime de isolamento.
De acordo com informações da Polícia Civil, Angélica possui um extenso histórico criminal que remonta à sua adolescência. O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), explicou que a investigada ascendeu na hierarquia da organização ao longo dos anos. "Desde os 16 anos ela já teve os primeiros registros [criminais] e a partir daí ela foi escalonando na organização criminosa e foi adquirindo a confiança de outros membros", afirmou a autoridade policial.
Entre as diversas condenações, destaca-se a sentença proferida em março de 2025, referente ao homicídio de quatro trabalhadores no município de Nova Monte Verde, ocorrido em 2022. Por este crime específico, a pena imposta foi de 99 anos e 11 meses. A atuação de Angélica concentrava-se majoritariamente na região de Alta Floresta, abrangendo atividades ilícitas como tráfico de entorpecentes, extorsões e exploração de garimpos ilegais. Investigações da Operação Showdown revelaram ainda uma movimentação financeira superior a R$ 20 milhões em menos de dois anos, envolvendo familiares e empresas de fachada para lavagem de dinheiro.
A recaptura ocorreu em solo boliviano, onde a foragida buscava realizar procedimentos estéticos. Ela havia evadido do sistema prisional mato-grossense em agosto de 2025, aproveitando-se de obras na unidade penal. Após ser detida, passou por custódia temporária em Corumbá (MS) antes do recambiamento definitivo. Agora, em Cuiabá, ela cumprirá seis meses em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), medida que restringe visitas e banhos de sol, visando garantir a ordem e a segurança da unidade.
Fonte: G1 Mato Grosso
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