Levantamento aponta que 93% das terras indígenas em Mato Grosso sofrem pressão da mineração

Levantamento aponta que 93% das terras indígenas em Mato Grosso sofrem pressão da mineração

Um levantamento detalhado divulgado pela Operação Amazônia Nativa (Opan) revela um cenário alarmante para a preservação ambiental e a segurança em Mato Grosso. Segundo os dados, aproximadamente 93% das terras indígenas no estado sofrem pressão direta da atividade minerária. O destaque negativo recai sobre a Terra Indígena Sararé, que se consolidou como o território com o maior volume de alertas de garimpo ilegal em todo o Brasil, contabilizando 1.814 registros monitorados pelo Ibama.

A análise geográfica aponta que, das 74 áreas indígenas registradas pela Funai em Mato Grosso, 69 possuem processos minerários ativos em seu entorno imediato, compreendendo um raio de até 10 quilômetros. A expansão do setor minerário no estado é expressiva: o número de processos saltou de 5.926 em 2018 para 13.627 em 2025, representando um crescimento de quase 130%. Atualmente, a área sob incidência minerária abrange cerca de 22,5 milhões de hectares, o que equivale a quase 25% de todo o território mato-grossense.

Na Terra Indígena Sararé, os impactos ambientais são severos. O boletim da Opan destaca a contaminação crítica de recursos hídricos, como o rio Sararé e o córrego Água Suja, por substâncias tóxicas como mercúrio e cianeto, além de rejeitos de mineração. Além da degradação ecológica, a região enfrenta uma crise de segurança pública. A infiltração de facções criminosas no garimpo, somada à proximidade com a fronteira boliviana, transformou a área em rota de tráfico de drogas, resultando em episódios de violência, ataques a aldeias e ameaças de morte contra as comunidades tradicionais.

Diante da gravidade da situação, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) intensificaram as cobranças junto ao Governo Federal. Os órgãos exigem a apresentação imediata de um plano de ação emergencial para combater a ilegalidade na Sararé. A manifestação destaca que uma decisão judicial de 2022 já determinava ações efetivas na região, mas a ausência de medidas concretas tem permitido o agravamento do desmatamento, que cresceu 729% entre 2021 e 2024, consolidando a TI Sararé como a mais devastada da Amazônia Legal no último ano.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT