Justiça Militar determina novo afastamento e uso de tornozeleira para PMs investigados no caso Renato Nery

Justiça Militar determina novo afastamento e uso de tornozeleira para PMs investigados no caso Renato Nery

A Justiça Militar de Mato Grosso determinou, nesta segunda-feira (15), o restabelecimento de medidas cautelares e o novo afastamento das atividades operacionais de quatro policiais militares investigados por suposta fraude processual. Os agentes Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso são suspeitos de simular um confronto armado utilizando a mesma arma que teria sido empregada no assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá.

A decisão, proferida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, cumpre um acórdão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que atendeu a um recurso interposto pelo Ministério Público Estadual. Com a nova determinação, os militares devem retornar imediatamente ao uso de tornozeleira eletrônica e estão proibidos de portar ou possuir armas de fogo, sejam elas da instituição ou de cunho particular.

Além do monitoramento eletrônico, os investigados foram novamente afastados do policiamento ostensivo e de serviços externos, devendo desempenhar exclusivamente funções administrativas dentro da corporação. O magistrado ordenou que o Comando-Geral e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar adotem as medidas necessárias para o recolhimento do armamento e a fiscalização das restrições impostas.

O histórico dos envolvidos aponta participações em outros episódios de supostos confrontos. Leandro Cardoso, por exemplo, foi alvo da Operação Simulacrum, que apurou a conduta de dezenas de militares em mortes sob suspeita de simulação. Jorge Rodrigo e Wailson Alessandro também figuram em processos relacionados a mortes em intervenções policiais ocorridas entre 2020 e 2023.

O caso que originou as medidas atuais refere-se à morte do advogado Renato Nery, baleado em frente ao seu escritório na capital mato-grossense. Imagens de segurança registraram o momento em que a vítima foi atingida por disparos efetuados por um suspeito que o aguardava no local e fugiu em uma motocicleta. Nery não resistiu aos ferimentos e faleceu um dia após o atentado. A defesa dos acusados não foi localizada para comentar a decisão e a Corregedoria da PM ainda não emitiu pronunciamento oficial.

Fonte: G1 Mato Grosso

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