Justiça mantém condenação de casal por manter sobrinha em regime de trabalho escravo em Mato Grosso

Justiça mantém condenação de casal por manter sobrinha em regime de trabalho escravo em Mato Grosso

O Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) confirmou a condenação de um casal pela exploração de trabalho análogo à escravidão contra a própria sobrinha em Chapada dos Guimarães. A vítima, que permaneceu sob o domínio dos parentes por cerca de uma década, deverá receber R$ 30 mil a título de indenização por danos morais, além do pagamento integral de todas as verbas trabalhistas devidas pelo período de exploração.

O caso revela um histórico de vulnerabilidade que se iniciou na adolescência da vítima. Após o falecimento de seus pais, a jovem passou a residir com a avó e, posteriormente, ficou sob a tutela legal dos tios. Segundo os autos, o que deveria ser um ambiente de acolhimento familiar transformou-se em um cenário de privações, onde a jovem era compelida a realizar tarefas domésticas exaustivas sem qualquer tipo de remuneração ou dignidade. Em um episódio que demonstra o controle exercido sobre ela, a jovem chegou a fugir da residência ao atingir a maioridade, mas foi localizada e forçada a retornar ao convívio dos tios.

A situação de exploração foi interrompida apenas em setembro de 2019, graças a uma operação de fiscalização coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. O resgate deu origem a uma ação trabalhista que, inicialmente, enfrentou obstáculos processuais. A 5ª Vara do Trabalho de Cuiabá havia considerado o processo prescrito devido à alegada ausência de bens penhoráveis em nome dos condenados. Contudo, em uma decisão de vanguarda, o TRT-MT reformou o entendimento anterior, estabelecendo que a falta momentânea de patrimônio não extingue a dívida em casos de graves violações aos direitos humanos, como o trabalho escravo.

Com a nova determinação, o processo retornará à instância de origem e permanecerá suspenso até que sejam identificados ativos financeiros ou propriedades dos réus capazes de quitar o débito. A execução será retomada imediatamente após a localização de bens.

As autoridades reforçam a importância da vigilância social para combater práticas degradantes. Denúncias de violações de direitos humanos podem ser realizadas gratuitamente pelo Disque 100, que opera 24 horas por dia. Além disso, o Governo Federal disponibiliza o Sistema Ipê, um canal digital específico para denúncias de trabalho escravo, onde o cidadão pode relatar casos de forma anônima e detalhada, auxiliando os órgãos de proteção e responsabilização.

Fonte: G1 Mato Grosso

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