Justiça determina júri popular para acusados de envolvimento na morte do advogado Renato Nery

Justiça determina júri popular para acusados de envolvimento na morte do advogado Renato Nery

O Poder Judiciário de Mato Grosso determinou que quatro acusados de envolvimento no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da Seccional Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão, proferida nesta quarta-feira (6) pelo juiz João Bosco Soares da Silva, acolheu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPMT) contra Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira, Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi. O grupo responderá por homicídio qualificado, com agravantes que incluem motivo torpe, uso de meio que resultou em perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além do fato de o advogado ter 72 anos na data do crime.

Segundo o magistrado, o conjunto probatório apresentado nos autos, composto por laudos periciais, registros de câmeras de segurança e depoimentos, é suficiente para comprovar a materialidade do crime e apontar indícios de autoria. A tese do Ministério Público sustenta que o homicídio foi meticulosamente planejado e executado mediante uma estrutura organizada, com clara divisão de tarefas entre mandantes, intermediários e executores.

As investigações apontam que o crime teria sido encomendado pelo casal Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, motivados por uma disputa judicial referente a uma área de terra superior a 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim. O valor estipulado para a execução do atentado teria sido de R$ 200 mil. No esquema detalhado pela polícia, os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira atuaram como peças-chave na intermediação, sendo responsáveis pela logística de armamento e pela coordenação dos pagamentos aos executores.

O atentado ocorreu em julho de 2024, em Cuiabá, no momento em que Renato Nery chegava ao seu escritório. O advogado foi surpreendido por disparos de arma de fogo e, apesar de ter sido socorrido, faleceu no dia seguinte. O rastreamento financeiro realizado pela Polícia Civil foi fundamental para o caso, identificando uma complexa rede de transferências bancárias iniciada em março de 2024, que visava ocultar o pagamento pelo crime de mando. Com a pronúncia dos réus, o processo aguarda agora a definição da data em que o Conselho de Sentença decidirá o desfecho do caso no Tribunal do Júri.

Fonte: G1 Mato Grosso

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