Justiça decreta prisão preventiva de policiais militares por fraude processual e morte de advogado

A Justiça de Mato Grosso formalizou, nesta segunda-feira (22), a determinação para o cumprimento de mandados de prisão preventiva contra quatro policiais militares investigados por envolvimento em graves irregularidades relacionadas ao assassinato do advogado Renato Nery. A decisão, proferida pelo juiz João Bosco Soares da Silva, cumpre uma ordem direta da ministra Maria Marluce Caldas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que destacou a periculosidade dos envolvidos e o risco de interferência no processo judicial.
Os policiais Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso tiveram suas medidas cautelares anteriores revogadas em função da nova ordem de prisão. A investigação aponta que o grupo teria simulado um confronto armado com o objetivo de forjar provas, utilizando a mesma arma que supostamente foi empregada na execução do advogado Renato Nery, ocorrida em julho de 2024.
A decisão da instância superior fundamentou-se na gravidade concreta dos fatos narrados e na necessidade de garantir a ordem pública e a integridade das testemunhas. Anteriormente, em dezembro do ano passado, os militares haviam obtido o direito de retornar às atividades externas, mas o cenário mudou após o STJ considerar a possibilidade de reiteração criminosa e a necessidade de segregação cautelar imediata.
O histórico dos investigados revela uma série de outros episódios controversos. Jorge Rodrigo já figurava em processos relativos à morte de Mayk Sanches Sabino, em 2020, e foi indiciado pelo óbito de Ricardo Conceição da Silva, em 2023. Wailson Alessandro é citado no caso de Victor Lima Hipolito, enquanto Leandro Cardoso foi um dos alvos da Operação Simulacrum, que apurou a conduta de dezenas de militares suspeitos de forjar confrontos para ocultar execuções.
O crime que vitimou Renato Nery causou grande comoção na capital mato-grossense. O advogado foi surpreendido por um atirador que o aguardava em frente ao seu escritório de advocacia. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi baleada ao se aproximar da entrada do edifício. Nery chegou a ser socorrido, mas faleceu um dia após o atentado. Até o momento, a Corregedoria da Polícia Militar e a defesa dos acusados não emitiram novos posicionamentos oficiais sobre as prisões.
Fonte: G1 Mato Grosso
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