Justiça de Mato Grosso mantém processo contra investigador acusado de estupro em delegacia de Sorriso

O Poder Judiciário de Mato Grosso indeferiu o pedido de absolvição sumária do investigador da Polícia Civil, Manoel Batista da Silva, de 52 anos, acusado de cometer estupro e abuso de autoridade contra uma mulher custodiada na delegacia de Sorriso. A decisão, proferida pela 2ª Vara Criminal da comarca nesta segunda-feira (13), mantém o curso do processo e afasta as alegações da defesa sobre supostas irregularidades nas provas colhidas durante a investigação.
O caso remonta a dezembro de 2023, quando a vítima encontrava-se detida na unidade policial devido a um mandado de prisão temporária. Segundo a denúncia, o investigador teria retirado a mulher da cela em quatro ocasiões distintas durante a madrugada, levando-a para uma sala isolada onde ocorreram os abusos. Sob graves ameaças contra a vida de sua filha menor de idade, a vítima teria sido coagida a manter silêncio sobre as agressões sexuais sofridas.
A defesa do policial tentou invalidar o processo argumentando a falta de preservação integral das imagens do sistema de monitoramento da delegacia. No entanto, o magistrado compreendeu que não há indícios de fraude ou quebra de autenticidade no material anexado. De acordo com o advogado da vítima, Walter Rapuano, a tese defensiva não prosperou: "o juízo entendeu que a tese da defesa [...] não comprovou qualquer indício de adulteração, fraude, contaminação ou quebra de autenticidade do material anexado no processo".
A acusação está fundamentada em um robusto conjunto probatório, que inclui depoimentos de outras detentas que presenciaram a retirada da vítima da cela durante a madrugada. Além disso, o processo conta com o depoimento detalhado da mulher agredida e laudos periciais que confirmaram os vestígios de violência sexual. Após ser solta por falta de provas no caso em que era investigada, a mulher formalizou a denúncia junto ao Ministério Público.
Com a negativa da absolvição, o processo avança para a fase de instrução e julgamento. Nesta etapa, serão realizados os depoimentos oficiais das testemunhas, a oitiva da vítima e o interrogatório do réu. A delegada responsável pelo inquérito, Layssa Crisóstomo, informou que outras presas foram consultadas, mas, até o momento, não surgiram novas denúncias contra o investigador. O espaço para a defesa de Manoel Batista da Silva permanece aberto para manifestações.
Fonte: G1 Mato Grosso
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