Justiça de Mato Grosso determina investigação de policiais penais por suspeita de tortura em cinco unidades prisionais

Justiça de Mato Grosso determina investigação de policiais penais por suspeita de tortura em cinco unidades prisionais

O Poder Judiciário de Mato Grosso determinou a abertura de investigações rigorosas para apurar denúncias de tortura e maus-tratos que teriam sido praticados por policiais penais em cinco unidades prisionais do estado. A decisão, assinada nesta quinta-feira (30) pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), exige que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) identifique formalmente os servidores envolvidos e instaure Processos Administrativos Disciplinares (PAD).

As irregularidades foram documentadas em relatórios do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF/MT) após inspeções realizadas no início de março. O documento detalha relatos alarmantes de detentos das unidades de Araputanga, Pontes e Lacerda, Mirassol D’Oeste e Cáceres. Entre as agressões descritas estão o uso indevido de spray de pimenta e gás lacrimogêneo em ambientes fechados, disparos de munição não letal dentro das celas, agressões físicas, ameaças e a imposição de castigos degradantes, como a nudez forçada e o isolamento punitivo para quem se recusasse a raspar o cabelo.

De acordo com a determinação judicial, pelo menos 23 servidores foram citados nominalmente nos depoimentos colhidos durante as vistorias: nove em Araputanga, onze em Cáceres e três em Mirassol D’Oeste. O desembargador Perri enfatizou que as condutas relatadas ultrapassam o limite de falhas administrativas, configurando possíveis crimes que exigem resposta imediata. O governo tem o prazo de 48 horas, após a intimação, para iniciar os procedimentos disciplinares.

Este novo desdobramento ocorre em um contexto de crescente fiscalização sobre o sistema penitenciário mato-grossense. Recentemente, a Justiça já havia determinado o afastamento de 14 policiais penais da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, em Sinop, após a morte de um reeducando por inalação de gás e denúncias de um suposto plano de atentado contra autoridades. Além das punições individuais, o desembargador ordenou que o Estado solucione deficiências estruturais graves, como o racionamento de água, garantindo a integridade física e os direitos fundamentais garantidos por lei dentro do sistema prisional.

Fonte: G1 Mato Grosso

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