Justiça de Mato Grosso condena homem a 60 anos de prisão por feminicídio e ocultação de cadáver em Rondonópolis

Em um julgamento marcado pelo rigor da justiça e pela gravidade dos fatos apresentados, o Tribunal do Júri de Rondonópolis condenou Valdinei Pedroso de Almecê a uma pena superior a 60 anos de reclusão. O réu foi considerado culpado pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver contra sua vizinha, Maria Selma Rocha dos Anjos, de 51 anos. O crime, ocorrido em junho de 2025, chocou a região pela brutalidade e pelo comportamento do agressor, que chegou a registrar as cenas do crime e enviá-las para sua ex-companheira.
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o condenado agiu motivado por vingança. As investigações apontaram que Valdinei atraiu a vítima até sua residência, no bairro Jardim Residencial Mathias Neves, após tomar conhecimento de supostos comentários depreciativos feitos por ela a seu respeito. No local, a vítima foi submetida a sessões de tortura, violência sexual e, por fim, assassinada. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as qualificadoras de motivo fútil, emprego de tortura e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A crueldade do réu estendeu-se para além do ato do assassinato. Após o crime, ele ocultou o corpo de Maria Selma sob uma caixa d'água no quintal, utilizando lona, entulhos e produtos químicos com o intuito de mascarar o odor e evitar a descoberta pelas autoridades. Além disso, Valdinei filmou o corpo e enviou as imagens, via aplicativo de mensagens, para sua ex-companheira. Foi justamente essa ação que permitiu a localização do cadáver, uma vez que a mulher reconheceu o imóvel e acionou a Polícia Militar imediatamente.
Na leitura da sentença proferida na última terça-feira (7), o juiz Leonardo de Araujo Costa Tumiati enfatizou a extrema violência do ocorrido e os antecedentes criminais do acusado, que já possuía histórico de violência doméstica. O magistrado estabeleceu a pena de 60 anos e oito meses de prisão, somados a dez meses de detenção e multa. A decisão determinou o cumprimento inicial em regime fechado na Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, a Mata Grande, negando ao réu o direito de recorrer da sentença em liberdade. O caso reforça a atuação rigorosa das instituições de segurança e do Poder Judiciário mato-grossense no combate a crimes contra a dignidade da mulher.
Fonte: G1 Mato Grosso
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