Justiça de Mato Grosso autoriza inquérito para investigar supostas irregularidades no DAE de Várzea Grande

Justiça de Mato Grosso autoriza inquérito para investigar supostas irregularidades no DAE de Várzea Grande

O Poder Judiciário de Mato Grosso determinou a abertura de um inquérito policial para apurar supostas irregularidades ocorridas no Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. A decisão, proferida pelo desembargador Orlando Perri no último dia 29, atende a uma solicitação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e visa investigar a possível ciência ou envolvimento da prefeita Flávia Moretti em esquemas de "religações fantasmas" na autarquia municipal.

A investigação fundamenta-se em denúncias encaminhadas à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Decor). Segundo os relatos, haveria indícios de crimes contra a administração pública, tais como peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas. A suspeita é de que registros fictícios de serviços de religação de água tenham sido utilizados para justificar o pagamento irregular de gratificações por produtividade a servidores, o que pode ter resultado em desvio de erário.

O caso tomou corpo após uma auditoria técnica contratada para analisar os sistemas de informação e o banco de dados do DAE. O profissional responsável identificou divergências graves no faturamento e volumes atípicos de cortes e religações em intervalos de tempo tecnicamente impossíveis. De acordo com a denúncia, após a identificação dessas falhas, investigações internas teriam sido interrompidas por mudanças na gestão, culminando na promoção de servidores sob suspeita e no desmonte do setor de Tecnologia da Informação, o que dificultaria o rastreamento de provas digitais.

Em posicionamento oficial, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que recebe a decisão com tranquilidade. "A gestão municipal ressalta que a medida possui caráter exclusivamente investigativo e não representa qualquer conclusão ou juízo de culpa, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a responsabilidade na condução da administração pública", declarou o Executivo em nota.

O promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano destacou que a supervisão pelo Tribunal de Justiça é necessária devido aos indícios que sugerem a possível anuência ou omissão por parte da chefia do Executivo. Conforme o magistrado, os elementos reunidos até o momento, que incluem documentos, registros audiovisuais e relatórios policiais, oferecem a "justa causa mínima" para que o aprofundamento das investigações seja realizado pelo Núcleo de Competência Originária (NACO).

Fonte: G1 Mato Grosso

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