Justiça de Mato Grosso anula lei municipal que barrava atletas trans em competições femininas em Cuiabá

Justiça de Mato Grosso anula lei municipal que barrava atletas trans em competições femininas em Cuiabá

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu, de forma unânime, declarar a inconstitucionalidade da lei municipal de Cuiabá que restringia a participação de atletas transsexuais em competições esportivas femininas. A decisão, proferida nesta quinta-feira (11), anula a legislação que tentava estabelecer o sexo biológico como o único critério para a definição do gênero em eventos esportivos oficiais na capital mato-grossense. O julgamento ocorreu a partir de uma ação movida pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+.

O relator do processo, desembargador Rui Ramos Ribeiro, fundamentou seu voto apontando que a matéria em questão não compete ao âmbito municipal. Segundo o magistrado, legislar sobre normas desportivas e diretrizes de participação é uma atribuição da União, tema que, inclusive, já se encontra sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O entendimento do relator foi acompanhado integralmente pelos demais membros do tribunal, seguindo também o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça, que considerou que o município extrapolou suas competências legais ao tratar de um tema de abrangência nacional.

A lei agora invalidada havia sido sancionada em setembro de 2025 pelo prefeito Abilio Brunini, após ser aprovada pela Câmara Municipal com 19 votos favoráveis. O projeto original, de autoria do vereador Rafael Ranalli, defendia que a medida visava garantir a isonomia nas competições. "O objetivo é assegurar a igualdade competitiva entre os atletas", afirmou Ranalli durante a tramitação da proposta na Casa de Leis.

O texto previa que atletas trans só poderiam integrar equipes compatíveis com o sexo biológico de nascimento, proibindo mulheres trans de participarem de torneios femininos oficiais. A norma estabelecia ainda sanções rigorosas, como multas de R$ 5 mil para clubes e federações que descumprissem a regra, além da possibilidade de banimento e enquadramento por doping para atletas que omitissem sua condição biológica.

O debate sobre o desempenho físico no esporte permanece complexo. Estudos científicos indicam que, em modalidades que exigem força e potência, a biologia masculina costuma apresentar vantagens devido aos níveis de testosterona desenvolvidos na puberdade. Embora a terapia hormonal reduza essas diferenças em mulheres trans, especialistas apontam que certas vantagens podem persistir. Com a decisão judicial, no entanto, as restrições impostas pela lei municipal perdem a validade jurídica em Cuiabá.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT