Justiça de Mato Grosso aciona Interpol contra suspeito de feminicídio que fugiu com o filho para o Paraguai

A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão preventiva de Matheus Gonçalves dos Santos, de 33 anos, principal suspeito do feminicídio de Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos. O crime ocorreu na última terça-feira (23), no município de Guarantã do Norte. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o suspeito teria assassinado a companheira a tiros e, em seguida, fugido para o Paraguai, levando consigo o filho menor do casal em situação de extrema vulnerabilidade.
Diante da fuga internacional, o juiz Guilherme Carlos Kotovicz determinou a notificação imediata à Polícia Federal para que o nome do investigado seja incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A medida visa garantir a cooperação de forças de segurança estrangeiras na localização e captura de Matheus. O magistrado ressaltou que a criança foi levada sem documentação pessoal e em meio a um cenário de violência, o que agrava a necessidade de intervenção judicial urgente.
O histórico criminal do suspeito foi um fator determinante para a decretação da prisão. Matheus já possui condenação anterior por lesão corporal no âmbito doméstico contra a própria Gleici e responde a outra ação penal na Comarca de Cláudia (MT). Em julho de 2024, ele chegou a ser preso em flagrante por agredir a vítima, mas ganhou liberdade após Gleici solicitar a revogação das medidas protetivas de urgência. Para o Judiciário, esses antecedentes demonstram o risco iminente de reincidência e a ineficácia de medidas cautelares menos severas.
O corpo de Gleici foi encontrado em sua residência com uma perfuração na cabeça, compatível com disparo de arma de fogo, após vizinhos acionarem as autoridades. No local, foi apreendido um cartucho de espingarda. Segundo o Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero, o relacionamento era marcado por brigas frequentes e um ciclo de violência que se intensificou ao longo dos últimos anos.
Mariell Antonini, chefe do Gabinete, alertou sobre a complexidade do rompimento desses ciclos: “É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”. No estado, ferramentas como o aplicativo 'SOS Mulher MT' e o botão do pânico auxiliam no monitoramento de medidas protetivas e na proteção de vítimas.
Fonte: G1 Mato Grosso
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