Justiça de Mato Grosso absolve guia espiritual de acusações de abuso sexual por falta de provas

Justiça de Mato Grosso absolve guia espiritual de acusações de abuso sexual por falta de provas

A Justiça de Mato Grosso proferiu sentença de absolvição em favor de Luiz Antônio Rodrigues da Silva, que atuava como guia espiritual em Cuiabá. O réu havia sido denunciado por supostos abusos sexuais que teriam ocorrido durante rituais religiosos. A decisão, assinada pelo magistrado Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, da 8ª Vara Criminal de Cuiabá, fundamentou-se na insuficiência de provas para a condenação.

As investigações tiveram início em outubro de 2023, após 12 mulheres procurarem as autoridades para relatar episódios que teriam ocorrido entre 2022 e 2023. Segundo os depoimentos, o acusado utilizava redes sociais, como o TikTok, para atrair fiéis ao seu terreiro, onde prometia processos de "energização" e amparo espiritual. As denunciantes alegaram que, durante os atendimentos particulares, o homem praticava atos libidinosos sob o argumento de que estariam sendo realizados por um "espírito encarnado".

A defesa das vítimas, representada pela advogada Karime Dogan, contestou a decisão judicial. Segundo a jurista, a sentença não teria observado o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "A ausência de aplicação do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero não é um detalhe técnico. Quando esse instrumento criado pelo Conselho Nacional de Justiça é ignorado, o risco é que casos de violência sexual sejam analisados com lentes que historicamente favoreceram a impunidade", afirmou Dogan.

O processo incluiu laudos periciais da Polícia Civil e a análise de dados extraídos do aparelho celular do acusado. Apesar do acervo documental, o entendimento do juízo foi de que não houve a comprovação necessária para o decreto condenatório. Diante do desfecho em primeira instância, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a assistência de acusação já interpuseram recursos junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), pleiteando a reforma da sentença.

Na fase de inquérito, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) detalhou que o suspeito criava narrativas de "vidas passadas" para envolver as vítimas emocionalmente antes dos supostos abusos. À época das prisões preventivas, a defesa de Luiz Antônio Rodrigues da Silva reiterou a inocência de seu cliente, tese que foi acolhida nesta fase processual. O caso agora aguarda nova análise pelos desembargadores do estado.

Fonte: G1 Mato Grosso

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