Justiça condena onze réus por esquema de corrupção e tráfico em presídios na região de Sinop

A Justiça de Mato Grosso proferiu uma sentença contundente contra onze integrantes de uma organização criminosa que operava na região norte do estado. A decisão, assinada pela 5ª Vara Criminal de Sinop no dia 30 de abril, é o desdobramento da Operação Escariotes, que desarticulou um esquema de tráfico de drogas, corrupção e extorsão envolvendo líderes de facção e um agente público. As penas aplicadas somam décadas de reclusão, reforçando o combate ao crime organizado no sistema prisional.
As investigações que culminaram nas condenações tiveram início em março de 2024, após a ocorrência de um homicídio. O trabalho policial revelou uma rede hierarquizada que mantinha atividades criminosas tanto no ambiente externo quanto no interior das unidades prisionais. O grupo utilizava aplicativos de mensagens de forma estratégica para coordenar o tráfico de entorpecentes e ordenar crimes, contando com a entrada ilegal de aparelhos celulares nos presídios.
Entre os condenados, destaca-se Daniel de Oliveira Souza, identificado como uma das lideranças da organização. Mesmo já estando sob custódia, ele coordenava as ações do grupo, o que resultou em uma pena de 31 anos, 7 meses e 24 dias de reclusão em regime fechado. Outro ponto central da sentença foi a condenação do policial penal Márcio de Figueiredo. Ele foi sentenciado a 19 anos e 4 meses de prisão, além da perda do cargo público, por facilitar a entrada de drogas e dispositivos de comunicação no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Os demais réus — Breno Hugo do Nascimento Tavares, Diego Pessoa de Oliveira, Jackson Alejandro de Jesus, Jonathan Willian da Silva Lima, Jonas Rodrigues da Silva Neto, Mateus Luan Magalhães de Quadros, Vanilson Nunes de Sousa, Victor Rafael Venit e Vitória Caroline Alves Cardoso — receberam penas que variam entre cinco e 16 anos. A maioria cumprirá a sentença em regime fechado, dada a gravidade das infrações e o risco à ordem pública.
A denúncia, formalizada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) de Sinop em fevereiro de 2025, aponta crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva. Apesar das condenações severas, os promotores Marcelo Linhares Ferreira, Roberta Cheregati Sanches e Carina Sfredo Dalmolin indicaram que o Ministério Público pretende recorrer da decisão com o objetivo de elevar as sanções impostas aos envolvidos.
Fonte: G1 Mato Grosso
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