Justiça condena mãe e filho a pagarem R$ 267 mil por invasão armada e mortes em Mato Grosso

A Justiça de Mato Grosso proferiu uma sentença condenatória na esfera cível contra a pecuarista Ines Gemilaki, seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, e o cunhado de Ines, Éder Gonçalves Rodrigues. O grupo foi condenado a indenizar o proprietário de uma residência em Peixoto de Azevedo em R$ 267,9 mil, após a invasão armada que resultou na morte de dois idosos e deixou outras pessoas feridas em abril de 2024.
A decisão, assinada pelo magistrado João Zibordi Lara e publicada nesta quarta-feira (8), estabelece o pagamento de R$ 240 mil a título de danos morais e R$ 27,9 mil por danos materiais. O episódio ocorreu durante uma confraternização familiar na casa de Erneci Afonso Lavall, quando os acusados efetuaram disparos que vitimaram Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81 anos. Entre os feridos na ocasião estava um padre.
Na fundamentação da sentença, o juiz destacou a gravidade da violação do domicílio e o impacto psicológico sofrido pela vítima. “A residência é espaço de intimidade, segurança e proteção familiar. A invasão armada do lar, com disparos de arma de fogo, mortes, pessoa ferida e destruição patrimonial, ultrapassa qualquer noção de mero aborrecimento ou dissabor cotidiano”, afirmou o magistrado. Os danos materiais foram calculados com base nas avarias causadas em portas, vidros, móveis e paredes pelos projéteis.
O magistrado observou, contudo, que houve uma contribuição do proprietário no agravamento do conflito original, uma vez que Erneci admitiu ter enviado terceiros para cobrar uma dívida de Ines Gemilaki à revelia de decisões judiciais. Por essa razão, o valor inicial pretendido para danos morais sofreu uma redução de 20%. No entanto, o juiz enfatizou que tal conduta anterior não justifica o ataque: “A eventual conduta ilícita antecedente do autor não exclui a responsabilidade dos requeridos pelo ataque armado posteriormente praticado”.
O crime, motivado por desentendimentos comerciais relacionados a alugueis, gerou grande repercussão no estado. Além do processo cível, os envolvidos respondem criminalmente e serão levados a júri popular. Bruno Gemilaki Dal Poz também sofreu sanções administrativas, sendo impedido de exercer a medicina pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). A defesa dos citados ainda não foi localizada para comentar a decisão.
Fonte: G1 Mato Grosso
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