Justiça condena líder religioso a 8 anos de prisão por violação sexual mediante fraude em Cuiabá

O Poder Judiciário de Mato Grosso condenou o líder religioso e advogado Luiz Antônio Rodrigues Silva a uma pena de oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. A sentença, proferida pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, refere-se ao crime de violação sexual mediante fraude praticado contra duas adolescentes. O réu, que utilizava sua influência espiritual para manipular as vítimas, também perdeu o cargo público de auditor municipal que ocupava.
De acordo com os autos do processo, o condenado utilizava o prestígio de sua posição religiosa para convencer as jovens de que os atos sexuais eram obrigações espirituais determinadas por entidades. O magistrado destacou que houve um claro abuso de confiança e manipulação da fé, comprometendo a liberdade de escolha das vítimas. Em um dos episódios relatados, uma adolescente foi levada a um motel sob o pretexto de realizar um "pagamento espiritual". A Justiça reconheceu a continuidade delitiva devido à repetição do padrão de conduta com diferentes vítimas.
O caso ganhou repercussão pela forma como o investigado atraía as fiéis. Segundo a Polícia Civil, ele utilizava a rede social TikTok para divulgar seu trabalho religioso e, posteriormente, agendava atendimentos particulares. Durante esses encontros, ele alegava que os atos eram praticados por um "espírito encarnado" ou utilizava narrativas de "vidas passadas" para justificar os abusos. "Fui e quando ele me viu, me chamou para entrar na sala dos atendimentos particulares... Ele começou a mudar de assunto e disse que iria me contar uma coisa que não era para dizer para outras pessoas", relatou uma das vítimas sobre a abordagem.
A condenação ocorre após um desfecho diferente em outro processo na 8ª Vara Criminal, onde o réu havia sido absolvido de acusações semelhantes envolvendo outras 12 mulheres. O promotor de Justiça Rinaldo Segundo, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), afirmou que a nova sentença é um marco importante no combate a crimes que utilizam a manipulação religiosa para vitimar pessoas vulneráveis. Além da prisão e da perda do cargo público, a decisão fixou o pagamento de indenização por danos morais às vítimas. A defesa do condenado não foi localizada para comentar a decisão.
Fonte: G1 Mato Grosso
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