Justiça condena integrantes de facção por esquema de extorsão contra comerciantes em Mato Grosso

Justiça condena integrantes de facção por esquema de extorsão contra comerciantes em Mato Grosso

A Justiça de Mato Grosso proferiu a condenação de dois membros de uma organização criminosa envolvidos em um sofisticado esquema de extorsão contra comerciantes de água mineral em Cuiabá e Várzea Grande. A decisão judicial revela que o grupo operava o chamado "Projeto da Água", que consistia na cobrança compulsória de taxas sobre a venda de galões, utilizando-se de graves ameaças e intimidação. Estima-se que as transações ilícitas tenham movimentado cifras superiores a R$ 1,5 milhão.

Os réus Ulisses Batista da Silva e Eduardo Virgílio de Oliveira Ajala foram condenados por integrarem a facção Comando Vermelho e por executarem as cobranças indevidas entre os anos de 2024 e 2025. De acordo com a sentença do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, a organização exigia o pagamento de R$ 1 por cada garrafão de água comercializado. As vítimas relataram em juízo que as abordagens ocorriam tanto por aplicativos de mensagens quanto presencialmente, gerando um clima de pavor que forçava o pagamento de quantias que chegavam a R$ 2 mil mensais por estabelecimento para evitar represálias violentas.

Ulisses Batista da Silva recebeu ainda a condenação pelo crime de lavagem de dinheiro, uma vez que a investigação comprovou a utilização de empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos. Já Eduardo Virgílio foi apontado como um dos executores diretos das cobranças presenciais. Por outro lado, o réu Lourival Pereira da Silva foi absolvido por insuficiência de provas, conforme destacado pela sua defesa, que ressaltou a ausência de reconhecimento por parte das vítimas.

As defesas dos condenados manifestaram discordância quanto ao desfecho processual. Os advogados de Eduardo afirmaram que a condenação carece de provas concretas, sustentando-se apenas em elementos do inquérito. A defesa de Ulisses anunciou que recorrerá da decisão. "A condenação se baseia principalmente em informações do inquérito policial e não em provas apresentadas na Justiça", declarou a defesa de Eduardo, enquanto os advogados de Lourival celebraram a absolvição, afirmando que ela confirma que "não havia provas suficientes para comprovar a participação dele nos fatos investigados".

A operação que desarticulou o esquema, denominada Aqua Ilícita, foi deflagrada pelo Gaeco e mobilizou centenas de agentes de segurança. Além das prisões, a ação resultou no sequestro de bens e veículos de luxo. Os condenados tiveram a prisão preventiva mantida para a garantia da ordem pública, permanecendo detidos enquanto aguardam os desdobramentos dos recursos.

Fonte: G1 Mato Grosso

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