Justiça condena delegado e investigador por esquema de corrupção em delegacia de Mato Grosso

Justiça condena delegado e investigador por esquema de corrupção em delegacia de Mato Grosso

A Justiça de Mato Grosso condenou o delegado de Polícia Civil Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues e o investigador Marcos Paulo Angeli por liderarem um esquema de corrupção na Delegacia de Peixoto de Azevedo. A decisão, proferida pelo juiz Guilherme Leite Roriz na última quinta-feira (16), também impôs penas aos empresários Sidney Carlos de Paula e Romildo Queiroz de Souza por corrupção ativa. O caso revela uma estrutura criminosa instalada dentro da unidade policial para a obtenção de vantagens ilícitas.

As investigações, iniciadas pela Corregedoria da Polícia Civil e pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), apontaram que os agentes utilizavam seus cargos para cobrar propinas em troca da liberação de veículos apreendidos e concessão de privilégios a detentos. Em um dos episódios relatados na sentença, os policiais teriam exigido R$ 10 mil para que um empresário, preso durante a Operação Hermes II, ficasse em um alojamento com ar-condicionado em vez de uma cela comum.

Provas obtidas por meio de captação ambiental autorizada judicialmente flagraram os agentes negociando a divisão dos valores. Nas gravações, ambos utilizavam o termo "fifty-fifty" para confirmar que o dinheiro seria repartido igualmente. Em outro caso de abuso, a dupla cobrou R$ 9 mil extras, além da fiança oficial de R$ 1 mil, para liberar um motorista detido por embriaguez ao volante.

O magistrado aplicou penas rigorosas: tanto o delegado quanto o investigador foram condenados a 10 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além do pagamento de 210 dias-multa. A sentença também determinou a perda dos cargos públicos, sob a justificativa de que as condutas são absolutamente incompatíveis com a função policial. "A perda dos cargos, no entanto, só será efetivada após o trânsito em julgado da condenação", esclarece o texto jurídico.

Os empresários envolvidos receberam penas de 2 anos e 8 meses de prisão. Geordan Fontenelle, que recebia salário de R$ 29 mil, ainda estava em estágio probatório na instituição. A operação que desarticulou o grupo, denominada Diaphthora, segue investigando o desdobramento de crimes como associação criminosa e advocacia administrativa na região.

Fonte: G1 Mato Grosso

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