Justiça autoriza viagem internacional de empresário investigado por esquema de contrabando em Mato Grosso

Justiça autoriza viagem internacional de empresário investigado por esquema de contrabando em Mato Grosso

Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Receita Federal revelam detalhes de um complexo esquema de contrabando de cigarros eletrônicos em Mato Grosso, envolvendo o empresário Rogério de Araújo Sales. Alvo da Operação Relutância, deflagrada em 2024, Sales é apontado como um dos principais articuladores da distribuição desses produtos da capital para o interior do estado. Recentemente, o caso ganhou repercussão após a Justiça Federal conceder um habeas corpus que permitiu ao investigado retirar a tornozeleira eletrônica para realizar uma viagem familiar à Disney, nos Estados Unidos.

De acordo com os relatórios policiais, o esquema possuía ramificações profundas, incluindo conexões diretas com fornecedores no Paraguai. As investigações sugerem ainda que o grupo efetuava o pagamento de taxas a uma organização criminosa para assegurar a logística e a continuidade das atividades ilícitas na região. A quebra de sigilo fiscal revelou uma disparidade financeira acentuada: entre 2022 e 2024, as contas vinculadas ao empresário movimentaram cerca de R$ 63,7 milhões, valor que contrasta drasticamente com os rendimentos declarados de R$ 402 mil no mesmo período.

A Receita Federal também identificou que, enquanto os ganhos declarados eram modestos, as despesas no cartão de crédito do investigado atingiram a cifra de R$ 2,9 milhões. Mesmo após o início da operação policial, indícios apontam que as movimentações financeiras suspeitas persistiram em 2025, com uma diferença estimada de R$ 7 milhões em relação às receitas declaradas, o que reforça a tese de continuidade em práticas como descaminho e sonegação fiscal.

A autorização para a viagem internacional ocorreu sob forte controvérsia. O Ministério Público Federal (MPF) posicionou-se de forma contrária à liberação, questionando a atualidade dos laudos médicos apresentados pela defesa. Os advogados de Sales, por sua vez, argumentaram que a viagem possui natureza humanitária e afetiva, visando atender ao bem-estar da filha do empresário, que possui uma cardiopatia congênita grave. "Um momento familiar essencial […] um possível último grande evento afetivo da criança", afirmou a defesa na petição.

A decisão liminar que suspendeu a monitoração eletrônica entre os dias 14 e 28 de abril foi proferida após a defesa recorrer à instância superior, visto que o pedido havia sido inicialmente negado na 1ª Vara Federal. O magistrado responsável pelo deferimento considerou que a medida cautelar já durava mais de 90 dias sem uma nova justificativa para sua manutenção. Após o retorno do empresário ao Brasil, a necessidade de restabelecer o uso da tornozeleira eletrônica deverá ser reavaliada em um prazo de até 30 dias.

Fonte: G1 Mato Grosso

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