Justiça adia julgamento de réu confesso e retira sigilo de processo sobre duplo homicídio em Cuiabá

O Tribunal do Júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra, réu confesso pelos assassinatos de Thays Machado e Willian Cesar Moreno, sofreu uma alteração em seu cronograma oficial. Inicialmente previsto para ocorrer nesta terça-feira (7), o julgamento foi reagendado para o dia 21 de julho. A decisão judicial, proferida nesta segunda-feira (6), também determinou a derrubada do sigilo integral da ação penal, garantindo maior transparência ao processo que chocou a capital mato-grossense.
A mudança na data atende a um pedido da defesa do réu, que argumentou a necessidade de acessar materiais produzidos ao longo das investigações. Paralelamente, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira acolheu o requerimento da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá para retirar o segredo de Justiça. Segundo a magistrada, a publicidade dos atos processuais é a regra constitucional e, no caso em tela, não há riscos concretos à intimidade das vítimas que justifiquem a manutenção do sigilo.
Carlos Alberto Gomes Bezerra responde pelo feminicídio de sua ex-companheira, Thays Machado. A denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) aponta que o crime foi motivado por torpeza, devido à não aceitação do término do relacionamento, e executado com extrema violência. Os disparos foram realizados em via pública, utilizando uma pistola semiautomática, o que impediu qualquer chance de defesa da vítima. O órgão ministerial destaca que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e de gênero.
Em relação à morte de Willian Cesar Moreno, o réu foi denunciado por homicídio qualificado, incluindo as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MPMT sustenta que o ataque foi premeditado e executado de forma a surpreender o casal, impossibilitando qualquer tentativa de fuga ou reação.
Com a queda do sigilo, o acesso do público ao plenário durante a sessão do Tribunal do Júri está autorizado. Contudo, a decisão impõe restrições rigorosas à imprensa: a captação de imagens será exclusiva da assessoria oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo vedada a entrada de equipes de televisão. Além disso, permanece proibida a divulgação de imagens que identifiquem o réu ou os jurados, visando preservar a integridade do rito processual.
Fonte: G1 Mato Grosso
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