Julgamento de investigador acusado de morte de policial militar entra em fase decisiva em Cuiabá

Julgamento de investigador acusado de morte de policial militar entra em fase decisiva em Cuiabá

O Tribunal do Júri de Cuiabá retomou, nesta semana, o julgamento do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado pelo homicídio do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O trâmite processual, que alcançou seu terceiro dia de sessões nesta quinta-feira (14), ocorre após uma interrupção anterior, motivada por impasses entre as bancadas de defesa e acusação em dezembro do ano passado.

O episódio central da denúncia ocorreu em abril de 2023, nas dependências de uma conveniência em um posto de combustíveis próximo à Praça 8 de Abril, na capital mato-grossense. De acordo com os autos, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo e, embora tenha recebido socorro imediato em uma unidade hospitalar particular, não resistiu à gravidade das lesões. O investigador apresentou-se voluntariamente às autoridades logo após o ocorrido, sendo autuado em flagrante por homicídio qualificado.

Nos dois primeiros dias de julgamento, o plenário ouviu depoimentos impactantes. Testemunhas presenciais e autoridades policiais que atenderam a ocorrência foram inquiridas. Entre os momentos de maior sensibilidade, destacou-se o depoimento do investigador Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior, que estava no local no momento dos fatos e, emocionado, dirigiu-se à mãe da vítima. Também foram ouvidos delegados que atuaram na fase de inquérito e na supervisão hierárquica do réu.

Nesta quinta-feira, o réu Mário Wilson apresentou sua versão oficial perante o júri. Em seu depoimento, o investigador alegou que o encontro com Thiago foi casual e que surgiram dúvidas sobre a identidade funcional da vítima, a qual, segundo ele, estaria em estado de alteração. A defesa sustenta a tese de legítima defesa, argumentando que os disparos ocorreram durante uma luta corporal iniciada após a tentativa de desarmamento da vítima. "O interrogatório do réu estava previsto para começar pela manhã, mas foi adiado após o Ministério Público solicitar o depoimento do sargento da Polícia Militar Éder Leal Caetano", aponta o registro dos trabalhos.

O julgamento seguiu para a fase de debates entre o Ministério Público e a defesa, com tempos determinados para réplicas e tréplicas. A expectativa do magistrado responsável é que o veredito do conselho de sentença, que definirá pela condenação ou absolvição do acusado, seja proferido ainda no período noturno.

Fonte: G1 Mato Grosso

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