Jovem é assassinado em Sorriso após tatuagem de símbolo milenar ser confundida com marca de facção

Jovem é assassinado em Sorriso após tatuagem de símbolo milenar ser confundida com marca de facção

Um crime brutal motivado por uma interpretação equivocada de uma simbologia milenar chocou a população de Sorriso. David Fernandes de Sousa, de 21 anos, que estava desaparecido desde o início de abril, foi encontrado morto em uma área de mata após ser vítima de uma emboscada armada por pessoas de seu próprio círculo de convivência. A Polícia Civil confirmou que o jovem foi executado porque seus agressores acreditaram que uma tatuagem do símbolo "yin-yang" em seu corpo indicava uma suposta ligação com uma facção criminosa rival.

De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Bruno França, a vítima desapareceu no dia 1º de abril. O desfecho trágico ocorreu nesta quarta-feira (29), quando o corpo foi localizado enterrado em uma região de mata densa no município. O delegado detalhou que David foi atraído para o local sob a falsa promessa de que receberia apenas um "salve" — termo utilizado no submundo do crime para descrever punições físicas disciplinares. No entanto, ao chegar ao ponto de encontro, o jovem foi surpreendido e estrangulado com o uso de um cadarço.

A elucidação do caso avançou com a prisão de um dos suspeitos na cidade vizinha, Lucas do Rio Verde. O indivíduo detido confessou a participação no homicídio e indicou às autoridades o local exato onde haviam ocultado o cadáver. A motivação, segundo os depoimentos colhidos, reside exclusivamente na interpretação distorcida da tatuagem da vítima. "A motivação do crime está ligada à interpretação da tatuagem, embora não se saiba por que o símbolo foi associado a um grupo criminoso", explicou o delegado França.

O símbolo "yin-yang", central na filosofia chinesa, representa o equilíbrio entre forças opostas e complementares, sendo amplamente utilizado ao redor do mundo em contextos culturais, religiosos e artísticos, sem qualquer relação intrínseca com organizações criminosas. O caso evidencia a violência extrema gerada por julgamentos arbitrários e a intolerância. A Polícia Civil continua trabalhando no inquérito para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no assassinato do jovem.

Fonte: G1 Mato Grosso

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