Investigador da Polícia Civil é afastado por suspeita de tortura em delegacia de Mato Grosso

Um investigador da Polícia Civil de Mato Grosso, identificado como Djande dos Santos Souza, tornou-se alvo de uma operação judicial nesta quinta-feira (11) sob a acusação de praticar tortura contra um detido. O crime teria ocorrido nas dependências da Delegacia de Polícia Civil de Pontes e Lacerda, município localizado a 483 km da capital. A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na aplicação de medidas cautelares severas contra o servidor público.
As investigações, conduzidas pela própria Polícia Civil com parecer favorável do Ministério Público, apontam que o incidente ocorreu no dia 31 de janeiro deste ano. Segundo os autos, o investigador conduziu um homem até o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) sem realizar o devido registro formal da ocorrência. Imagens capturadas pelo sistema de monitoramento interno da unidade policial teriam registrado o momento em que o servidor desferiu agressões físicas, incluindo chutes e tapas, enquanto portava sua arma de fogo institucional.
A gravidade do caso é reforçada pelo fato de que a vítima teria deixado a delegacia com visíveis sinais de debilidade física, sem que fosse encaminhada para o exame de corpo de delito obrigatório. Além disso, apura-se o uso indevido de uma viatura oficial pelo investigador para localizar o indivíduo novamente em via pública após o episódio na delegacia.
Diante dos indícios, o Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias determinou o afastamento cautelar do servidor de suas funções, o recolhimento de seu armamento e a proibição de frequentar unidades policiais ou manter contato com testemunhas. A Justiça também autorizou a perícia em dispositivos eletrônicos apreendidos, visando investigar o possível vazamento de informações internas sobre o andamento do inquérito e tentativas de influência sobre o processo por parte de outros servidores ligados ao suspeito.
O histórico funcional do investigador também foi citado na decisão judicial, mencionando episódios anteriores de alta gravidade. Entre eles, um disparo acidental em 2017 que culminou em um acidente fatal com uma viatura, o extravio de uma arma institucional em 2023 — posteriormente encontrada em posse de um suposto integrante de facção criminosa — e o furto de uma motocicleta oficial da corporação ocorrido em janeiro deste ano. Até o momento, a defesa do investigador não se pronunciou sobre as acusações.
Fonte: G1 Mato Grosso
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