Investigação sobre morte de servidor em Cuiabá revela histórico de violência doméstica e contesta versão policial

Investigação sobre morte de servidor em Cuiabá revela histórico de violência doméstica e contesta versão policial

A Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá avançou nas investigações sobre a morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano. Em depoimentos colhidos pelo delegado Bruno Abreu, a ex-esposa e a enteada da vítima relataram um longo histórico de violência doméstica, contrastando com a imagem pública mantida pelo servidor. O caso, ocorrido na última segunda-feira (11) no bairro Goiabeiras, levanta questionamentos sobre a dinâmica da intervenção policial que resultou no óbito.

De acordo com o relato da ex-mulher, o relacionamento de 27 anos foi marcado por agressões físicas, ameaças de morte, comportamento possessivo e infidelidade. Ela afirmou que, embora Valdivino fosse visto socialmente como uma pessoa exemplar, o ambiente familiar era de constante temor. "Ela deixou claro que, no mundo lá fora, ele era uma excelente pessoa, mas as pessoas não imaginavam o que ele fazia dentro de casa", pontuou o delegado Abreu, destacando que a mulher tentou a separação em diversas ocasiões, sem sucesso.

A investigação agora confronta as versões sobre o momento do confronto com a Polícia Militar. Enquanto a PM sustenta que Valdivino apontava uma arma para a cabeça da enteada e ameaçava os agentes, depoimentos de testemunhas indicam um cenário diferente. Segundo as novas oitivas, no momento em que abriu a porta para liberar a jovem, o servidor segurava um celular e uma chave, enquanto a arma estaria guardada em sua cintura, sob a camisa. Conforme o delegado, a arma teria sido guardada cerca de dez segundos antes da abordagem fatal.

A Polícia Civil também apura se houve qualquer tipo de alteração na cena do crime e deve ouvir, em breve, os policiais militares envolvidos na ocorrência. A PM defende que a entrada no imóvel foi necessária para preservar a vida da adolescente, após os agentes ouvirem pedidos de socorro. Em contrapartida, um vídeo gravado no interior da residência mostra o servidor em estado de desabafo e portando uma arma antes da chegada dos policiais.

O Liceu Cuiabano, onde Valdivino trabalhava e era carinhosamente chamado de “Pai” pelos alunos, suspendeu as aulas em sinal de luto. O inquérito segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte e a conduta dos agentes públicos durante a operação.

Fonte: G1 Mato Grosso

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