Investigação sobre bilhete premiado de R$ 29 milhões impacta vida de ex-funcionária de lotérica em MT

Uma ex-operadora de caixa, investigada sob a suspeita de furtar um bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena em Sinop, relatou enfrentar graves dificuldades financeiras e sociais desde o início do imbróglio judicial. Clarice Simon afirma que, desde agosto de 2023, quando a investigação ganhou repercussão, não consegue se manter em nenhum posto de trabalho devido ao julgamento público e à acusação de furto qualificado que pesa sobre ela e seu marido.
O caso teve origem após um sorteio da Mega-Sena cujo prêmio total superou os R$ 116 milhões, sendo dividido entre quatro apostas. De acordo com a defesa, o bilhete em questão teria sido emitido com um erro de impressão. Enquanto a lotérica sustenta que o comprovante pertencia ao estabelecimento e foi retirado indevidamente de um cofre, a ex-funcionária alega que o bilhete era seu e que o local de onde foi retirado servia apenas para guardar pertences pessoais dos colaboradores.
Atualmente, a renda da família provém exclusivamente do trabalho do marido, que atua como caminhoneiro. Clarice descreve um cenário de vulnerabilidade, agravado pelo estado de saúde da filha, que necessita de acompanhamento médico especializado. "Hoje só meu esposo trabalha. Todos os serviços que eu arrumo, acabo não ficando porque as pessoas começam a falar da situação que aconteceu, que eu estou sendo acusada de roubo, e acabo perdendo o emprego", declarou a investigada.
Além dos impactos financeiros, Clarice relatou prejuízos à sua saúde mental, mencionando o diagnóstico de depressão e uma perda significativa de peso. O prêmio milionário permanece bloqueado pela Justiça até que haja uma definição sobre a propriedade legal do bilhete. A defesa contesta a versão de furto e busca provar que não houve irregularidade na posse do comprovante premiado.
O processo criminal segue em tramitação na Justiça Estadual. Enquanto a Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos em andamento, a lotérica envolvida também optou por não se manifestar. "Tenho fé em Deus que a Justiça vai ser feita porque eu não fiz nada de errado. [...] A maior dificuldade é poder transitar na rua sem as pessoas estarem te julgando", concluiu Clarice.
Fonte: G1 Mato Grosso
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