Investigação revela rastreio de R$ 215 mil em esquema de pagamento pela morte de advogado em Cuiabá

Investigação revela rastreio de R$ 215 mil em esquema de pagamento pela morte de advogado em Cuiabá

As investigações em torno do assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, avançaram significativamente com a revelação do fluxo financeiro que teria financiado o crime em Cuiabá. A Polícia Civil de Mato Grosso, após obter a quebra de sigilo bancário autorizada pelo Poder Judiciário, identificou o rastreio de R$ 215 mil destinados ao pagamento pela execução do jurista, ocorrida em julho de 2024. O detalhamento das transações aponta para uma complexa rede de ocultação de valores e a participação de múltiplos envolvidos, incluindo mandantes e intermediários.

De acordo com as autoridades, a cronologia dos repasses financeiros teve início em 4 de março de 2024, quando a empresária Julinere Goulart Bastos, apontada como uma das mandantes, efetuou transferências que somaram R$ 200 mil. Para mascarar a origem do montante, o dinheiro transitou por diversas contas de terceiros. No dia seguinte, R$ 115 mil foram utilizados na aquisição de um veículo em nome de outra pessoa, enquanto R$ 40 mil foram destinados à mãe de um dos investigados. O restante dos valores foi pulverizado em contas dos próprios suspeitos, incluindo um pagamento direto de R$ 15 mil realizado pela suposta mandante a um segundo investigado em 8 de março.

A Polícia Civil concluiu que o homicídio foi um crime de mando, caracterizado pelo pagamento antecipado para a prática de homicídio qualificado. O inquérito detalha a função de cada envolvido: além de Julinere, César Jorge Sechi é apontado como mandante. O executor dos disparos foi identificado como o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva. A trama contou ainda com a participação de diversos membros da Polícia Militar que atuaram como intermediadores, fornecedores de armamento e coordenadores da logística do crime, além de agentes investigados por forjar confrontos para desviar o foco da arma utilizada no atentado.

Renato Nery foi vítima de uma emboscada quando chegava ao seu escritório de advocacia na capital mato-grossense. Câmeras de segurança registraram o momento em que o atirador, que o aguardava no local, efetuou os disparos e fugiu em uma motocicleta. O advogado chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu um dia após o ataque. O rastreamento bancário e os depoimentos colhidos, incluindo a confissão de um dos investigados sobre a dinâmica dos pagamentos, consolidam a tese de um crime meticulosamente planejado e financiado.

Fonte: G1 Mato Grosso

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