Investigação detalha morte de servidor do Liceu Cuiabano durante operação policial em Sinop

A Polícia Civil de Mato Grosso forneceu novos detalhes sobre a investigação da morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, ocorrida durante uma operação da Polícia Militar em Sinop. Segundo o laudo de necropsia divulgado pelo delegado Bruno Abreu, o servidor foi atingido por seis disparos de arma de fogo: três no peito, um na coxa, um nas costas e um de raspão na parte posterior da cabeça. A investigação agora foca na conduta dos cerca de 30 policiais militares que participaram da ação.
Um dos pontos centrais do inquérito é a alteração da cena do crime. De acordo com a Polícia Civil, quando os investigadores chegaram ao imóvel, Valdivino estava desarmado e a arma atribuída a ele já havia sido recolhida pelos militares. O delegado Abreu ressaltou que objetos não devem ser removidos do local, salvo em situações de risco iminente, o que será rigorosamente apurado, uma vez que testemunhas afirmaram que a residência já estava totalmente cercada e segura no momento da apreensão do objeto.
A dinâmica da abordagem também é questionada pela Polícia Civil. Em casos que envolvem suposto cárcere privado, o protocolo padrão prevê tentativas de negociação e contato prévio, procedimentos que, segundo as primeiras apurações, não teriam sido realizados. Depoimentos indicam que Valdivino teria aberto a porta voluntariamente para liberar a enteada quando foi surpreendido pelos agentes na entrada da casa. A investigação busca identificar quem acionou a PM, já que o servidor teria pedido expressamente para que as autoridades não fossem chamadas.
Por outro lado, a Polícia Militar sustenta que a intervenção foi necessária para garantir a vida da jovem que estava no local. A versão oficial da PM indica que as equipes foram acionadas por denúncias de ameaça e que, ao chegarem, ouviram pedidos de socorro. Os policiais relataram ter visto, através de uma janela, o servidor apontando uma arma para a cabeça da enteada. A família de Valdivino, entretanto, contesta essa narrativa.
Valdivino era uma figura querida na comunidade escolar em Cuiabá, onde trabalhava no tradicional Liceu Cuiabano. Conhecido carinhosamente como “Pai”, ele era respeitado por tratar os alunos com extrema dedicação e afeto. A escola suspendeu as atividades em sinal de luto. O caso segue sob os cuidados da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT