Insegurança no Campus: Alunos da UFMT relatam ameaças após denúncia de lista misógina

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Cuiabá, relataram momentos de tensão e insegurança nesta terça-feira (13). Um homem, que se identificou como pai de um aluno do curso de Engenharia, teria entrado nas dependências da instituição para intimidar e ameaçar jovens que denunciaram a existência de uma lista misógina circulando em grupos de mensagens. O documento em questão classificava alunas da universidade sob critérios violentos e degradantes, gerando revolta na comunidade acadêmica.
De acordo com os relatos, o suspeito foi flagrado pelas câmeras de monitoramento interno da UFMT caminhando pelos corredores. Nas imagens, ele aparece utilizando boné preto, mochila e carregando um objeto na cintura. Um universitário do curso de Engenharia Civil detalhou que foi abordado logo após sair de sua sala de aula. As ameaças seriam uma retaliação direta às manifestações organizadas pelos alunos contra a referida lista, que listava estudantes como "estupráveis". Além dele, pelo menos outros dois colegas de turma teriam sido alvos das intimidações.
Diante da gravidade dos fatos, as vítimas, acompanhadas por um advogado e pelo diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, compareceram à delegacia para registrar o boletim de ocorrência. O caso agora está sob investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, que já identificou o suspeito e deve intimá-lo para prestar depoimento nos próximos dias.
O episódio é um desdobramento de uma crise iniciada na semana passada, quando um aluno do curso de Direito foi afastado preventivamente após ser apontado como um dos criadores do "ranking" ofensivo. A repercussão do caso mobilizou o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), que instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis crimes e deu um prazo de cinco dias para que a reitoria da UFMT detalhe as medidas internas adotadas.
A comunidade acadêmica segue em alerta. O Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) também foram acionados pelo Ministério Público para fornecerem todas as provas e documentos coletados até o momento. A situação gerou um clima de apreensão entre familiares e universitários, que cobram reforço na segurança e punições rigorosas para os envolvidos na elaboração da lista e nas subsequentes ameaças dentro do campus.
Fonte: G1 Mato Grosso
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