Impacto de novas tarifas dos EUA sobre Mato Grosso será limitado, aponta Fiemt

Impacto de novas tarifas dos EUA sobre Mato Grosso será limitado, aponta Fiemt

Um levantamento recente realizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) trouxe um cenário de alento para o setor produtivo estadual diante das novas políticas comerciais dos Estados Unidos. Segundo os dados, quase 94% das exportações de Mato Grosso destinadas ao mercado norte-americano permanecerão isentas da nova tarifa de 25% anunciada pelo governo dos EUA. Enquanto o Brasil, de forma geral, mantém apenas 45,9% de sua pauta exportadora livre da sobretaxa, Mato Grosso demonstra uma resiliência significativamente superior devido à natureza de seus produtos.

A decisão foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), estabelecendo que a tarifa entrará em vigor a partir de 22 de julho. A medida é fruto de uma investigação que classificou certas práticas brasileiras como "injustificáveis e discriminatórias", citando questões que variam desde o sistema PIX e decisões judiciais sobre plataformas digitais até preocupações com propriedade intelectual e desmatamento. O governo americano ressaltou, entretanto, que a taxação pode ser revista caso as práticas questionadas sejam alteradas pelo Brasil.

Em termos financeiros, dos US$ 209,57 milhões exportados por Mato Grosso aos Estados Unidos no período analisado, cerca de US$ 196,69 milhões continuam protegidos pela lista de exceções. Entre os itens que garantem a estabilidade da balança comercial estadual estão a carne bovina, o ouro e diversos tipos de madeira serrada e beneficiada. Apenas uma fatia de 6,09% das vendas externas mato-grossenses para os EUA sofrerá o impacto direto do imposto adicional.

Os produtos afetados concentram-se principalmente no sebo bovino e em gelatinas e seus derivados, que juntos somam a maior parte do valor sujeito à nova cobrança. Itens de madeira com maior valor agregado (NCM 4418) também foram incluídos na taxação, o que pode representar um desafio para a competitividade desses segmentos específicos. Contudo, a Fiemt destaca que a diversificação de compradores em mercados como Europa e América Latina pode atenuar os efeitos negativos.

Antonio Lorenzzi, coordenador de Internacionalização da Fiemt, recomenda cautela e monitoramento constante. "É preciso acompanhar de perto produtos como o sebo bovino, as gelatinas e parte da madeira beneficiada, especialmente os itens de maior valor agregado. Esses produtos têm relevância para a balança comercial de Mato Grosso e passarão a pagar a tarifa adicional de 25%", explicou o especialista. Dessa forma, embora o impacto global seja limitado, setores específicos deverão buscar estratégias para manter sua inserção no mercado internacional.

Fonte: G1 Mato Grosso

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