IBGE aponta que mais de 90 mil domicílios em Mato Grosso ainda utilizam queima para descarte de lixo

Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um alerta importante para a saúde pública e o meio ambiente em Mato Grosso: aproximadamente 94 mil residências no estado ainda utilizam a queima como principal método de descarte de resíduos domésticos. O contingente representa 6,8% do total de 1,37 milhão de domicílios mato-grossenses. Embora a coleta regular de lixo tenha apresentado avanços significativos, a persistência de práticas inadequadas de manejo de resíduos continua a gerar riscos de incêndios e impactos ambientais negativos.
O levantamento detalha que a infraestrutura de limpeza urbana atende a vasta maioria da população, com cerca de 1,18 milhão de lares contando com a coleta direta. Adicionalmente, 67 mil domicílios utilizam caçambas de serviço público, enquanto 31 mil unidades adotam outras formas de destinação. No entanto, o IBGE reforça que o acesso pleno a serviços de saneamento básico, incluindo a destinação correta do lixo e o esgotamento sanitário, é vital para a qualidade de vida. Atualmente, apenas 38% das residências no estado estão integradas à rede geral de esgoto, evidenciando um gargalo estrutural.
A prática de queimar lixo dentro de propriedades privadas tem sido o estopim para incidentes graves em diversas regiões. Em Cuiabá, por exemplo, moradores do Bairro Consil causaram um incêndio de grandes proporções ao atearem fogo em resíduos em um terreno baldio, exigindo intervenção imediata do Corpo de Bombeiros devido à fumaça densa e à altura das chamas. Em Sinop, uma residência de madeira de 70 metros quadrados foi completamente destruída após o fogo utilizado para a queima de pragas em um terreno se alastrar rapidamente com o vento.
Outro caso emblemático ocorreu em Lucas do Rio Verde, onde um incêndio supostamente iniciado pela queima de entulhos às margens de uma estrada atingiu 56 hectares de vegetação nativa. A operação de combate durou três dias e consumiu mais de 20 mil litros de água para proteger estruturas rurais e a ponte da BR-163.
Apesar desses desafios pontuais, a capital do estado apresenta índices robustos de atendimento. Em Cuiabá, cerca de 99% dos domicílios possuem acesso ao serviço formal de coleta (direta ou por caçamba). O índice de coleta direta na capital alcança 93%, superando a média nacional e demonstrando o esforço contínuo para a modernização dos serviços urbanos e a proteção da população contra os riscos do descarte irregular.
Fonte: G1 Mato Grosso
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