História e Ciência: Mato Grosso foi palco do maior terremoto já registrado no Brasil

História e Ciência: Mato Grosso foi palco do maior terremoto já registrado no Brasil

O estado de Mato Grosso detém o registro do abalo sísmico mais potente da história do Brasil. O fenômeno ocorreu na madrugada de 31 de janeiro de 1955, na região da Serra do Tombador, área que atualmente pertence ao município de Juara. Com uma magnitude estimada em 6,2, o tremor superou outros eventos sismológicos no país, mas, devido ao isolamento geográfico da época, o episódio quase não foi notado pela população brasileira.

De acordo com dados da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o terremoto atingiu o nível VII na Escala Mercalli Modificada, classificação considerada forte e com potencial para causar danos estruturais severos. Na ocasião, a região era praticamente desabitada, o que evitou tragédias humanas. Apesar do epicentro estar localizado em uma área remota, o impacto foi sentido em Cuiabá, situada a cerca de 380 km de distância, onde objetos balançaram, mas sem registros de prejuízos materiais relevantes.

O pesquisador Lucas Barros, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a percepção de um evento semelhante hoje seria drasticamente diferente. "Não é possível afirmar com certeza que um novo terremoto vá acontecer. No entanto, como já houve registros anteriores, existe a possibilidade de que novos abalos aconteçam sim", afirmou o especialista ao g1, ressaltando que a expansão urbana atual tornaria os efeitos muito mais visíveis e perigosos.

Diferente dos terremotos que ocorrem em países vizinhos devido ao encontro de placas tectônicas, o sismo de Mato Grosso foi um fenômeno "intraplaca", causado por movimentações internas da própria placa sul-americana. Segundo o professor Caiubi Kuhn, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o fato de o tremor ter ocorrido a apenas 10 quilômetros de profundidade — considerado raso — potencializou sua força na superfície.

Embora o Acre tenha registrado magnitudes numericamente superiores (como 6,8 em 2019), sismólogos explicam que esses eventos no estado vizinho possuem origem profunda e estão ligados à Cordilheira dos Andes, não sendo classificados tecnicamente como "sismos brasileiros" genuínos, como o caso da Serra do Tombador. Atualmente, a região norte de Mato Grosso é monitorada de perto, especialmente a Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos, que apresenta atividades recorrentes, reforçando a necessidade de estudos contínuos sobre a geologia do estado.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT