Gestão do Hospital Regional de Sinop será transferida para consórcio de prefeituras sob monitoramento judicial

O Governo do Estado de Mato Grosso oficializou, nesta segunda-feira (25), a transferência da gestão do Hospital Regional Jorge de Abreu, em Sinop, para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires (CPSVTP). A entidade, composta por prefeitos de 16 municípios da região norte, assumirá a administração da unidade em um processo de transição estimado entre 60 e 120 dias. A proposta governamental visa uma expansão significativa da estrutura, com a previsão de elevar o número de leitos de 98 para 158, além de ampliar a oferta de especialidades em urologia, cirurgia pediátrica e oncologia.
Apesar do plano de expansão, a mudança é acompanhada por questionamentos no Poder Judiciário. Uma ação protocolada na Justiça de Mato Grosso contesta os critérios de escolha do consórcio e levanta dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade para gerir um hospital de tal complexidade. O processo estabelece um comparativo com editais anteriores da Secretaria de Estado de Saúde (SES), como o do Hospital Estadual do Alto Tapajós, no qual a participação de consórcios foi vedada e a exigência de experiência prévia em gestão hospitalar foi rigorosa.
O Hospital Regional de Sinop desempenha um papel estratégico na rede de saúde estadual, sendo referência para 35 municípios e operando no sistema de "vaga zero" para casos de urgência. Diante das incertezas, profissionais da área e gestores locais expressaram preocupação com a manutenção do fluxo de regulação e a qualidade dos atendimentos de alta complexidade durante e após a transição.
Em esclarecimento, a secretaria-executiva do Consórcio Vale do Teles Pires confirmou que esta será a primeira experiência do grupo na administração direta de uma unidade hospitalar. No entanto, ressaltou que o consórcio possui expertise em compras coletivas e contratação de serviços de saúde. "O processo seletivo será de títulos, experiência e comprovação técnica. Os que atenderem aos requisitos vão permanecer. Existe uma comissão de transição acompanhando tudo isso, inclusive remuneração e cumprimento dos pisos nacionais", afirmou a secretária, indicando que os atuais funcionários deverão passar por novos processos de seleção devido à alteração do CNPJ da unidade.
O Estado assegura que não haverá interrupção nos serviços prestados à população. A regulação dos pacientes permanecerá sob o controle direto do Governo Estadual, enquanto o consórcio focará na gestão administrativa e operacional da estrutura hospitalar.
Fonte: G1 Mato Grosso
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