Flagrante raro no Pantanal: Onça-pintada é filmada transportando jaguatirica em Poconé

Flagrante raro no Pantanal: Onça-pintada é filmada transportando jaguatirica em Poconé

Um registro impressionante da vida selvagem capturou a atenção de turistas e especialistas no Pantanal de Mato Grosso, na última segunda-feira (13). Na região de Porto Jofre, em Poconé, uma onça-pintada foi flagrada carregando um filhote de jaguatirica morto entre as presas enquanto escalava uma árvore. O vídeo, realizado pelo guia de turismo Eduardo Falcão, de 32 anos, documenta um comportamento considerado extremamente raro pela comunidade científica e por profissionais que atuam na localidade.

O guia relatou que o avistamento ocorreu durante um passeio de rotina com um grupo de visitantes em uma reserva ecológica. De acordo com Eduardo, a percepção inicial era de que o felino estaria transportando um de seus próprios filhotes. "Quando chegamos perto, vimos que ela tinha matado uma jaguatirica, provavelmente, atravessou o rio com ela e subiu na árvore para comer. Com a nossa presença, ela se sentiu incomodada, desceu da árvore e entrou na mata", detalhou o profissional, que destacou o caráter excepcional da cena. "A chance de ver um uma cena dessa, é muito raro. É mesma coisa que você ganhar numa loteria", comparou.

A interação entre as duas espécies, embora ambas sejam predadores de topo em seus respectivos nichos, foi analisada por especialistas. O biólogo Henrique Abrahão Charles esclareceu que a jaguatirica não compõe a dieta habitual da onça-pintada, mas a disparidade de porte e força torna o embate fatal quando os territórios se sobrepõem. "Ela pode passar a integrar a cadeia alimentar da onça-pintada a partir do momento em que seus caminhos se cruzarem", explicou o biólogo, reforçando que o oportunismo é uma característica marcante dos grandes felinos.

O episódio reforça a complexidade do ecossistema pantaneiro e a importância do monitoramento ambiental na região. Após o breve momento de exposição, a onça-pintada buscou refúgio na vegetação densa para consumir a presa, longe do alcance das lentes. O registro de Eduardo Falcão agora serve como um importante documento visual sobre a hierarquia e os comportamentos de predação intraespecífica na maior planície alagada do mundo.

Fonte: G1 Mato Grosso

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