Flagrante no Rio Teles Pires revela estratégia de sobrevivência de pirarucus para proteger prole

Flagrante no Rio Teles Pires revela estratégia de sobrevivência de pirarucus para proteger prole

Um registro impressionante da natureza selvagem capturou o momento em que um casal de pirarucus utilizou táticas sofisticadas de proteção para conduzir seus filhotes pelas águas do Rio Teles Pires. O flagrante ocorreu no Porto Santo Expedito, localizado no município de Itaúba, a cerca de 600 km da capital mato-grossense. As imagens, registradas pelo pescador e influenciador Tiger Bilzerian, rapidamente viralizaram nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações devido à raridade e beleza do comportamento animal apresentado.

De acordo com o autor do vídeo, a movimentação dos peixes em águas rasas não é aleatória, mas sim uma estratégia deliberada de sobrevivência. O objetivo é criar uma barreira física e visual para resguardar a prole contra o ataque de predadores vorazes, como o peixe-cachorra. Tiger Bilzerian destacou que o sucesso reprodutivo desse casal específico é notável, dada a densidade do cardume de filhotes que os acompanhava. “Os predadores atacam os filhotes. É comum que, no fim do trajeto, sobrem cerca de 50, dependendo do habitat. Esse casal deve ter uma estratégia muito boa porque, desse tamanho, já era para ter bem menos filhotes”, observou o pescador.

Além das ameaças naturais representadas por ariranhas e jacarés, o pirarucu enfrenta a pressão da pesca devido à alta qualidade de sua carne. O produto é valorizado no mercado gastronômico por ser considerado nobre, possuindo baixo teor de gordura e propriedades que auxiliam na saúde cardiovascular, como a redução do colesterol e ação anti-inflamatória. O pirarucu é reconhecido como o maior peixe de escamas da Amazônia e um dos maiores de água doce do planeta.

Contudo, a presença da espécie fora de seu bioma de origem tem gerado debates ambientais. Recentemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classificou o pirarucu como uma espécie exótica invasora em determinadas bacias hidrográficas. Por ser um predador de topo de cadeia com dieta generalista, sua proliferação em áreas não nativas pode desequilibrar a fauna local. Em resposta a esse cenário, uma normativa publicada em março deste ano autorizou a pesca da espécie em dez regiões hidrográficas específicas, visando o controle populacional e a preservação da biodiversidade nativa dessas bacias.

Fonte: G1 Mato Grosso

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