Flagrante no Pantanal: Capivara é vista descansando entre jacarés na Transpantaneira

Flagrante no Pantanal: Capivara é vista descansando entre jacarés na Transpantaneira

Um registro impressionante da fauna pantaneira capturou a atenção de turistas e especialistas recentemente. Durante um percurso pela Rodovia Transpantaneira, em Poconé, a 104 km de Cuiabá, uma capivara foi flagrada descansando tranquilamente em meio a um grupo de jacarés. A cena, registrada pela guia de turismo Erica Moura no dia 26 de agosto, ocorreu enquanto ela acompanhava um grupo de visitantes estrangeiros da Espanha e do Chile, que se mostraram maravilhados com a convivência pacífica entre as espécies nas margens do trajeto rumo a Porto Jofre.

De acordo com a guia, o momento foi o ponto alto da expedição. "O que se escutou ao redor é eles impressionados com a cena, dizendo que todo o esforço [da viagem] valeu a pena", relatou Erica. A imagem levanta questionamentos comuns sobre a relação entre predador e presa no ecossistema do Pantanal, especialmente pela aparente vulnerabilidade do roedor diante dos répteis.

Em entrevista, o biólogo João Marcelo Biagini explicou os fatores biológicos que permitem essa proximidade. Segundo o especialista, o porte físico das capivaras adultas é um dos principais inibidores de ataques. Machos da espécie podem atingir entre 70 kg e 80 kg, possuindo dentes incisivos extremamente fortes que podem causar ferimentos graves em um confronto. Além disso, o hábito de viverem em grupos organizados aumenta o risco para o jacaré, que poderia enfrentar uma reação coletiva.

Outro fator determinante é a oferta de alimento. Biagini ressalta que, em períodos de abundância, como na época das chuvas, os jacarés priorizam presas mais fáceis. "Tem grande disponibilidade de alimentação nessa época, tem mais peixe, então para eles é mais fácil pegar os peixes, porque os peixes são mais tranquilos, eles não atacam de volta", afirmou o biólogo. Entretanto, ele alerta que essa "trégua" não é absoluta: durante a seca ou em situações de escassez, filhotes e animais doentes tornam-se alvos frequentes.

A interação também revela uma dinâmica de vigilância mútua. Erica Moura observou que a presença das capivaras pode beneficiar os jacarés, pois os roedores, por serem animais de sangue quente e presas habituais de grandes felinos, detectam a aproximação de predadores terrestres, como a onça-pintada, com maior rapidez. Esse comportamento de alerta acaba servindo como um sistema de aviso para os jacarés ao redor, demonstrando a complexa rede de sobrevivência no Pantanal mato-grossense.

Fonte: G1 Mato Grosso

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