Fenômeno 'Farmar Aura' em Cuiabá vira tema de TCC após repercussão nacional de campeonato

O inusitado Campeonato de 'Farmar Aura', realizado na última sexta-feira (24) em Cuiabá, ultrapassou as barreiras do entretenimento digital para se tornar objeto de estudo acadêmico. Idealizado por Cleófas São Bernardo Lopes, de 25 anos, estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o evento ganhou tamanha projeção nacional que motivou o jovem a transformar a iniciativa em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), focando na análise dos conflitos geracionais e nas dinâmicas de comunicação contemporâneas.
A gênese do projeto ocorreu dentro das salas de aula da UFMT, durante uma disciplina voltada à comunicação no mundo atual, onde se discutiam os conceitos de informação e desinformação. Ao observar a polarização nas redes sociais sobre o termo "farmar aura" — expressão popular entre o público jovem que remete ao acúmulo de prestígio ou estilo —, Cleófas identificou uma oportunidade de pesquisa científica. Ele notou que o comportamento da Geração Z era frequentemente alvo de críticas severas por parte de gerações mais velhas.
"A gente teve uma disciplina sobre comunicação no mundo contemporâneo e estudou muito o que é informação e desinformação. Eu via as pessoas dizendo que 'farmar aura' era coisa de imbecil e percebi que a nossa geração precisava ser ouvida. Esse choque entre gerações acontece e merece ser discutido", explicou o estudante em entrevista. A ideia de transformar o conceito em uma competição física partiu da sugestão de um amigo, resultando em um vídeo de convocação que viralizou inesperadamente.
Diante do sucesso estrondoso, Cleófas optou por redirecionar sua pesquisa de graduação. "Agora tem que ser meu TCC. Eu estava com outro projeto, mas esse deu muito certo. Quero pesquisar justamente esse conflito entre gerações e como a comunicação atravessa diferentes épocas", afirmou. O estudo pretende investigar como memes e tendências digitais são interpretados de formas distintas por diferentes faixas etárias, gerando ruídos e estranhamentos socioculturais.
Para o organizador, o movimento representa uma forma legítima de ocupação de espaço público e expressão identitária, comparável a fenômenos culturais de décadas passadas. "Na minha época, a gente ocupava as praças com violão, teatro e música. Antes teve o Rebolation, a Dança do Siri e tantas outras modas. Agora chegou a nossa vez. O 'Farmar Aura' é o movimento dessa geração", concluiu o acadêmico, reforçando que o evento é, acima de tudo, uma manifestação cultural de seu tempo.
Fonte: G1 Mato Grosso
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